Massacre na Escola em Realengo RJ

Não serei hipócrita e dizer que fiquei chocada com o que aconteceu naquela escola no Rio, há muito tempo esse tipo de notícia não me choca.

Achei até que demorou muito pra uma desgraça dessa acontecer, dado o fato que nas escolas públicas ninguém se preocupa com o bullying. Sempre imaginei que o lugar mais provável para acontecer seria o Rio de Janeiro por causa do imenso comércio ilegal de armas gerado pelo tráfico de drogas.

Mas confesso que fiquei muito inconformada com duas coisas:

Primeiro:

Por que Wesley não se vingou das vagabundinhas e dos desgraçados que judiaram dele no passado? Ele poderia muito bem ter ido atrás dos malditos e dado um tiro no meio da testa ou desacarregado dois revólveres no peito de cada um. Hoje em dia as garotas gostosinhas perversas devem ser umas barangas mal amadas e mal comidas e os valentões (que mergulharam sua cabeça na privada, jogaram-no numa lata de lixo) devem ser uns cornos que gastam metade do que ganham com cachaça e/ou crack, seria fácil encontrá-los executar a vingança e depois cometer o suicído ( afinal, ninguém merece ser preso por matar gente que não presta)embora eu, pessoalmente, ache que a morte é uma benção, gente perversa merece sofrer. E mais, serviria de exemplo, depois da tragédia, quando um garoto bonzinho estivesse sendo judiado por algum maldito em alguma escola por aí poderia ameaçar em um momento de coragem: “Quando crescer vou me vingar de vocês seus filhos da p… vou encher vocês de balas igual aquele carinha lá do Rio fez”.

Mas existe uma resposta pra isso: a pessoa atormentada guarda o símbolo, no caso a escola e a adolescência.

Segundo:

Ninguém teve presença de espírito para jogar uma carteira, uma cadeira ou mesmo um apagador no atirador para pelo menos atordoá-lo um pouco. Todo mundo só pensou no próprio rabo, saindo correndo, fugindo sem ligar nem para os feridos ( as imagens do garoto ferido no chão pedindo ajuda deixou isso bem claro, e naquele momento o pior já havia passado). Gente pode justificar: “Na hora do desespero ninguém consegue pensar em nada!”. Pra mim não é desculpa, o que parece é que imaginou-se que poderia ser um traficante acertando contas e todos temeram agir e sofrer represália depois, isso explicaria porque nenhum professor telefonou imediatamente para a polícia assim que ouviu os primeiros tiros o que seria natural.  Pra não ser totalmente injusta, reconheço que houve apenas um com presença de espírito naquela escola: o garoto que pediu ajuda para o policial rodoviário. No que diz respeito ao policial, ele fez o que um policial deveria fazer mesmo não sendo da alçada dele, fez o que um HOMEM deveria fazer naquela situação.

Espero que depois desse primeiro episódio – primeiro, porque não sou ingênua ao ponto de acreditar que não vai acontecer de novo – a sociedade se preocupe mais com a questão do bullying, entenda que as “brincadeiras de mal gosto”, as chacotas, podem criar monstros e que as autoridades ao invés de se preocupar em desarmar (que não resolve nada) dificulte a compra, lute contra o comércio ilegal de armas.

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