O TEATRO INVERTIDO

O teatro que começou a ser construído com a frente para o lado contrário do que estava na planta deu tanta polêmica que apareceu até no Fantástico.

Bem, é mesmo um “elefante branco’ como o programa o chamou, além de ser uma construção milionária é pouco útil.

Apesar de fazer parte ainda que marginalmente do meio cultural da cidade, acho sinceramente que o dinheiro gasto na construção desse teatro deveria ser repassado para a saúde. Existem UBS’s funcionando em casas alugadas, sobrados com escadas que dificultam as consultas de idosos e deficientes, o dinheiro desse teatro poderia servir para a construção de postos de saúde.

Uma pesquisa da FOLHA DE SÃO PAULO mostrou que em São Paulo, lugar onde as pessoas consomem cultura, 60% das pessoas não vão ao teatro porque não gostam e não por motivos financeiroscomo se costuma pensar.A matéria informava que a  frase da campanha de formação de público “VÁ AO TEATRO” virou uma piada “Vá ao teatro…mas não me leve”.

Aqui em São José a porcentagem deve ser de 98%! (Até um teatro que ficava dentro de um shopping numa área nobre da cidade  fechou por falta de lucros! Felizmente foi reaberto)

Será que a cidade precisa de um teatro, ainda mais daquele tamanho? Será que a população quer isso? Há um teatro desativado na região central da cidade, aliás é o único que a maioria dos munícipes conhece( Pois é, pasmem, as pessoas não sabem nem onde fica o “teatro municipal e olha que ele fica dentro de um shopping também no centro da cidade!). Por que não reformá-lo, ampliá-lo ?

Bem eu acho que teria sido muito mais interessante que o Fantástico tivesse apresentado uma matéria sobre a greve dos médicos da saúde pública do município. Acho que o Brasil merecia saber que a nossa cidade enfrenta problemas bem maiores.

Voltando a pesquisa do jornal infelizmente eu sei porque as pessoas não gostam de teatro: elas não entendem porque os profissionais fazem umas coisas “sem pé nem cabeça”  com as seguintes desculpas: “não se pode dar tudo mastigado para o público”; “o público não tem que entender, tem que sentir”; “teatro não é pra gente ignorante, é pra gente culta e gente culta gosta de ficar pensando, refletindo”; “platéia não tem que entender, tem que pagar”; “o público só entende besteirol”…entre outras. (Curioso que quando querem ganhar dinheiro fácil e rápido fazem um besteirol do dia pra noite)

Já discuti muito por causa disso, já cansei de dar murro em ponta de faca, se for pra fazer coisa “sem pé nem cabeça” prefiro fazer as minhas coisas “pobres” sozinha. Eu gosto que o público entenda e faço o possível pra isso, minha arte pode ser “pobre” mas é coisa feita para o público e não para agradar o meu ego ou fazer inveja para os colegas.

PS: O que me espantou na pesquisa foi que 40% das pessoas não vão ao cinema e também não é por causa de dinheiro! Eu não consigo conceber como alguém pode não gostar de cinema. Não sei o que há mas as pessoas também não estão se identificando mais com o cinema.

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