A ROUPA FAZ DIFERENÇA

 

Semanas atrás aconteceu a “Marcha das Vadias” em várias cidades, o movimento que surgiu – dizem – graças a um comentário infeliz de um policial canadense em 2001. Comentário infeliz, não  porque ele tenha falado algo absurdo, mas a forma como ele falou foi infeliz; ele perdeu a oportunidde de dar um bom conselho para terminar cunhando uma frase que ficou famosa pelo preconceito explícito nela.

Fiquei com pena dos policiais daqui do Brasil que tiveram que ouvir um monte de merda como se eles vivessem repetindo a afirmação do canadense. Pode até ser que alguns já tenham dito ou pensado algo correlato, mas esse pensamento aqui no Brasil  é  ridículo.

Nós brasileiras somos conhecidas no mundo inteiro por nos vestirmos com pouca roupa e termos um comportamento exageradamente sensual. Somos as únicas que tem o hábito de usar biquíni fio dental, em outros países as mulheres não tem essa coragem.

Em certas regiões do país como por exemplo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e no Nordeste, qualquer estrangeiro pensaria que as mulheres andam vestidas como vadias e não só um policial preconceituoso canadense ( e não só no jeito de se vestir, no jeito de andar também). Mas isso, os gringos, não os homens brasileiros, não os nossos policiais.

A questão é que eu, como uma mulher que pratica o pedestrianismo com uma frequência muito grande, que cruza distâncias de aproximadamente5 a6 quilometros e passa por lugares pouco seguros à noite no centro da cidade e na perifeira; sei que a roupa faz diferença.

Eu tenho praticamente um “uniforme” de caminhar, principalmente à noite: calças folgadas, camiseta, tênis (é claro) e cabelo preso. Com esse visual eu passo desapercebida entre nóias, bêbados de botecos “boca do lixo” e maníacos que circulam de carro, moto ou bicicleta somente à procura de uma “companhia” de alguns minutos (Por que não procuram prostitutas? em último caso recorrem à elas, mas uma mulher “comum” é mais excitante).

É só sair com uma babylook, short, legging corsário…por exemplo, para a paz acabar: Passou pelos nóias, eles pedem dinheiro ou falam alguma coisa suja; passou pelo boteco ouve-se as cantadas mais escrotas; ao esperar nos semáfaros, sempre surge um coroa num carro que te pede uma informação, logo perguntando se você poderia ir com ele até o lugar, um garotão que elogia alguma parte do seu corpo e pergunta se você quer carona; o tipo mais irritante, aquele que fica te acompanhando dirigindo devagarinho, puxando conversa, até o momento que passa uma viatura de polícia, aí ele vai embora; e finalmente o tipo mais assustador: aquele que te acompanha e começa a se masturbar.

Isso costuma acontecer comigo, conheço garotas que andam em “trajes menores” e trajes justos,  diariamente e raramente um sujeito buzina pra elas, ou seja, não estou generalizando. Mas tenho que deixar registrado aqui que sou testemunha de que a roupa faz diferença, sim.

Não dá para deixar de andar a noite nem por lugares ermos, principalmente quando se e pobre é mora na periferia; a polícia não pode estar em todos os lugares; os maníacos sexuais não deixarão de existir; a epidemia de crack se alastra cada vez mais criando novos monstros criminosos a cada dia… Enfim, nós mulheres estamos num mato sem cachorro.

Quer bater no peito dizendo com orgulho que é uma vadia, que vai continuar se vestindo como uma, dando mais fama para a frase do policial canadense, propagandeando cada vez mais o que ele disse, fazendo assim com que mais homens conheçam e compartilhem desse pensamento? Vá em frente e seja feliz!

Mulheres realmente conscientes continuarão tendo cuidado com a maneira de se vestir em determinados locais e situações, afinal, é melhor prevenir do que remediar.

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