EPIDEMIA DO CRACK

É interessante observar que o nome CRACK deriva do fato de que o resíduo de carbonato de sódio causa um som de estalo quando a substância é fumada.” José Elias Murad – Drogas: O que é preciso saber

Estima-se que hoje, no Estado de São Paulo, de cada 5 famílias 4 possuem um viciado em crack entre seus membros; pode ser um primo distante, um sobrinho ou irmão… e como diz o velho ditado “acontece nas melhores famílias”.

Com apenas uma semana de uso a pessoa pode se tornar dependente até a morte.

O crack já se transformou numa epidemia, que a cada dia se alastra mais; o número de “zumbis”, verdadeiros mortos-vivos dispostos a fazer qualquer coisa para conseguir comprar a maldita pedra, aumenta a cada dia.

A situação está ficando insustentável, os “zumbis” atormentam e aterrorizam mais do que qualquer espécie de viciado que existe ou já existiu (ex: viciados em cola, em cocaína, etc). Eles tem força física, não sucumbem às doenças, mesmo que estejam empesteados das piores e perdem totalmente o amor próprio e a sanidade.

Grades, alarmes, travas elétricas, blindagem, prisão, surras, eletrochoque e nem mesmo balas conseguem detê-los, impedi-los de cometer os mais cruéis e absurdos atos de violência.

A sociedade está refém, a polícia impotente e nem mesmo os grandes traficantes os suportam: No Rio de Janeiro, em algumas favelas, traficantes mandaram colocar placas avisando o fim da venda de CRACK em seus domínios. Por quê? Os “pedrinhas” prejudicam o comércio das outras drogas porque assustam e roubam os “clientes” (consumidores das outras drogas).

O QUE FAZER? Ou melhor o que vai acontecer? Se nada for feito pelas autoridades a sociedade civil arranjará seus próprios meios para se defender; meios esses que podem vir a ser muito violentos.

Houve o caso do viciado em Crack que foi queimado vivo enquanto dormia na rua com seu companheiro que infelizmente sobreviveu. A imprensa chegou a comparar o caso com a tragédia ocorrida com o índio Pataxó a anos atrás,mas a historia foi bem diferente: Cansado de ver pessoas sofrerem por muito tempo sendo aterrorizadas pelos dois viciados, alguém resolveu “dar um jeito” nos dois pedrinhas e movidos pelo terror e pelo ódio, esse alguém com a ajuda de outro alguém decidiu que a pena que os dois viciados mereciam por terem acabado com a paz dos outros era morrerem queimados (imaginem só o que esses dois não haviam aprontado!) VIOLÊNCIA GERA VIOLÊNCIA.

É isso aí, se nada for feito os cidadãos começarão a fazerem justiça com as próprias mãos. O medo, o terror aliados ao instinto de preservação move as pessoas, dá coragem para até o mais pacífico indivíduo ser capaz de atos extremos.

Eu pessoalmente, só consigo enxergar uma solução para essa epidemia: ser oferecido aos viciados um tratamento com uma droga de substituição, como o programa da Metadona para os viciados em Heroína.

Para isso a indústria farmacêutica teria que desenvolver uma droga que substituísse o tropismo do crack no cérebro, não causando sensação de prazer, nem tolerância e que aplacasse a crise de abstinência, como a Metadona para com a Heroína.

O poder público teria que comprar essa droga dos laboratórios e fazer a distribuição gratuita e controlada aos viciados que teriam que ser cadastrados. Como os viciados não procurarão tratamento, este seria oferecido para aqueles que fossem presos ou quando da ação de eliminação de áreas de concentração, as chamadas Cracolândias.

Mas isso é uma utopia, um sonho talvez realizável mas muito distante…vai ter que acontecer muita, mas muita desgraça para que as autoridades competentes se movam no sentido de uma solução. Afinal, existem muitos viciados que são produtivos, em muitos casos leva-se bastante tempo para o Crack jogar o viciado na sarjeta.

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