Homenagem a Luiz Gonzaga

Eu não podia encerrar o ano sem prestar a minha singela homenagem ao rei do Baião. Nesse ano tive um contato muito próximo com a literatura de cordel e decidi fazer minha homenagem nesta linguagem, então pedi a Urbano Marino que escrevesse esse cordel. Feliz centenário de Gonzagão!

ASA BRANCA E LUIS GONZAGA
CEM ANOS DO VELHO LUA
por: Urbano Marino

Estado de Pernambuco
Divisa com Ceará
Solo seco, pedregoso
Onde quase nada da
Onde boi vira carcaça
No bico do carcará

Terra com nome do demo
Eterno sol à brilhar
Em meio a vários foles
Ali pra ressuscitar
Cresceu o grande Gonzaga
Sua vida vou contar

Os foles de oito baixos
Em pequeno já tocava
Na pequena oficina
Onde seu pai consertava
Uma alça que partia
Ou um fole que rasgava

Famoso e respeitado
Além de consertador
O pai de Luiz Gonzaga
Era grande tocador
No fole de oito baixos
Não tinha competidor

E Gonzaga foi crescendo
Guardando no coração
O jeito de Januário
O legado do sertão
E amor pela sanfona
Seu futuro ganha-pão

Ficou um cabra bonito
Enxerido e fogoso
E jogou charme pra filha
De um coronel seboso
Dono de toda a vila
Homem muito poderoso

Sentindo a ameaça
Sobre toda a família
Assim disse Januário
Apos longa homilia
“Se quer conquistar alguém
Deixe de ser porcaria”

No seu orgulho de macho
Gonzaga ficou ferido
Partiu de casa bem cedo
Com o coração dorido
Ia à feira do Crato
Não voltaria vencido

Mas, depois mudou de planos
E ate de ambição
Pois o sonho infantil
De procurar Lampião
De se tornar cangaceiro
Com parabélum na mão

Teve de ser esquecido
Devido a situação
Sentou praça no Exercito
Entrou pra corporação
Envergou verde oliva
Um soldado da nação

Mas a vida de macaco
Não tinha por vocação
Decidido, deu baixa
E pegou o estradão
Foi ao Rio de Janeiro
Tocar seu acordeão

Perambulou pelas ruas
Levando vida ao léo
Tocava sem agradar
Não cumpria seu papel
Os tangos, valsas, modinhas…
Não enchiam seu chapéu

Mas como diz a cultura
Do adagio popular
“Água mole vi pingando
Ate a pedra furar
E tanto tocou sem graça
Que ouviu alguém falar:

“Pare com essa tristeza
Aruá de pé de Serra!
Argentino tu não es
Assim teu fole emperra…
E eu sou do Ceara
Toque o forro da terra!”

A sanfona ganhou vida
E Gonzaga, coração
A contida energia
Espargiu em explosão
E ali, praticamente,
Nasceu o Rei do Baião

Personagem concebido
Naquela tribulação
Para mostrar o Nordeste
Ao resto desta nação
Através de sua obra,
Seu chapéu e seu gibão

Se hoje nos entendemos
Sinais de uma menina
Em tempo de namorar
Paraíba masculina
O voar da Asa Branca
E o que e essa sina

Devemos ao velho Lua
Que em forma de canção
Abraçado a sanfona
Envergando seu gibão
Nos ensinou o respeito
Ao asno, nosso irmão

E ensinou Gonzaguinha
A andar pelo pais
Guardando recordações
Mesmo estando por um triz
Igualzinho ao Assum Preto
Sem vergonha de ser feliz!

luiz_gonzaga_e_primeiro_trio_de_forró

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