Barbie na real

Um artista plástico fez uma Barbie inspirada numa garota real de 19 anos, veja a foto:

barbiegorda
Barbie ao lado da obra de arte do norte-americano Nickolay Lamm.

Vi essa foto numa matéria do Yahoo Mulher. Na matéria o jornalista encarregado da coluna “Amigo Gay” fez um monte de críticas ao padrão de beleza vigente e da imposição deste pela mídia e do mal que – segundo ele e mais um grande número de gente – essa imposição faria para a mente de nossas meninas e moças.

Eu brinquei com bonecas. Como toda menina pouco sociável, brincar com bonecas era a minha brincadeira predileta. Fui gorda na infância e início da adolescência e a minha aversão à gordura( a minha aparência gorda) não teve nada a ver com as minhas Barbies. Quando pintei meus cabelos de loiro, também não. Também não teve nada a ver com a Xuxa  suas paquitas que eram um referencial muito mais forte do que o objeto inanimado chamado boneca Barbie.

Teve a ver sabe com o quê? Com a sociedade, a sociedade “brasileira” que dita que a mulher,  a “mulher brasileira” tem que ser – obrigatoriamente – sensual, sexy, atraente , etc.

Como a maioria por aqui é cabocla ou mulata, loira é artigo de luxo e do mais cobiçado.

Se deixarmos por um segundo a hipocrisia do politicamente correto de lado, chegaremos a conclusão e a percepção de que raríssimas pessoas no mundo acham uma negra ou morena gorda mais bonita que uma loira, magra, alta de olhos azuis. Raríssimas pessoas acham um bebê negro e gordo mais belo que um bebê branquinho, careca de olhos azuis. E essas raríssimas pessoas não conseguiriam fazer a roda da economia girar. Revistas, roupas, carros, produtos de higiene pessoal e etc, etc… precisam ser vendidos, comprados.

Acusam o mundo da moda por ser o grande responsável pela imposição desse padrão de beleza. Ok. Observe bem a foto das duas bonecas: elas estão vestidas com a mesma roupa. Na Barbie, a roupa parece ser o que ela é, uma roupa fashion, uma criação moderna. Na outra parece uma roupa de quinta categoria, roupinha de puta. A  boneca da esquerda parece uma modelo, a da direita uma funkeira ou periguete da favela. Elegância é uma coisa e sensualidade é outra.

Um corpo esguio e longilíneo favorece até a mais cafona das roupas (que é o caso desse vestidinho). Infelizmente é assim. Nossos olhos funcionam assim.

O problema não está na boneca e sim no referencial humano. Espartilhos para estreitar a cintura existiam antes da Barbie. Quando ela foi criada (por um costureiro, inclusive) o padrão de beleza era ser magra, de nariz arrebitado e cintura super fina, ela representou o padrão de beleza perseguido e idolatrado da época.

E a Barbie já mudou muito, hoje ela já está muito “humana”, os seios enormes e a cintura absurdamente fina já deixaram de existir há muito tempo! Ela tem mais quadris que muitas modelos. A modelo Candice Swanepool, uma das criaturas mais belas da face da terra tem seios menores e pernas mais finas.

As meninas copiam as modelos e não as bonecas. Se a Gisele Bundchen é considerada uma mulher cheia de curvas e sexy, mesmo parecendo uma caveira quando está vestida com roupas comuns (por exemplo, no comercial da Sky onde representava uma dona de casa) e se tornou uma profissional de sucesso sem ter completado o ensino médio, as meninas vão querer ser como ela. É claro que sempre existem pessoas inteligentes que percebem que a top model e outras como ela, se parecem com rapazinhos travesti, mas essa é uma minoria.

Idolatrar as plus size e as “bombadas” lipadas na cintura e com próteses nos seios e nas nádegas, como está acontecendo agora também não é nada bom. A obesidade é uma doença, uma garota de vinte anos alta, com um rosto bonito e com lipoaspiração na cintura, pode até ser linda, mas quinze ou dez anos depois, será mais uma diabética, com pressão alta, problemas na coluna e etc. A bombada vai virar uma criatura andrógina de voz grossa, pelos e clitóris enormes confusa com a própria sexualidade e problemas no fígado, coração, tireoide, etc.

Bonito mesmo é ser saudável.

Mas o ser humano gosta de se transformar e fazer melhorias naquilo que já nasceu feio e… a roda da economia precisa girar, os produtos precisam serem vendidos e comprados…

As bonecas vão mudar quando as pessoas mudarem. E pelo jeito não vão mudar para melhor, não tão cedo. Ainda vai demorar muito…

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