Grandes atrizes mirins

Na semana do dia da criança me senti inspirada à assistir filmes estrelados por crianças e a primeira que me veio à mente foi a mais brilhante delas: Shirley Temple. Assisti a uns cinco filmes dela (“Olhos Brilhantes”, “A pequena Orfã”, “A Mascote do Regimento”, “O Pássaro Azul” e o precursor de “E o Vento Levou…” : “A Pequena Rebelde”) e aí senti vontade de rever uma das melhores atuações de uma criança no cinema, a performance de Patty Duke como a cega-surdo-muda Helen Keller em “O Milagre de Ann Sullivan” (The Miracle Worker 1962), recorri ao You Tube onde encontrei as cenas mais marcantes do filme e então descobri o filme indiano “BLACK” e fiquei abismada e maravilhada com a atuação da menina Ayesha Kapoor interpretando uma personagem livremente inspirada em Hellen Keller.

Deu para notar que em algumas cenas o diretor Sanjai Leela Banshali quis homenagear o filme americano de 1962, em algumas cenas (o momento em que a menina cega-surdo-muda diz “mãe” e “pai” pela primeira vez, por exemplo) como se fosse um remake. Mas com relação à dramaticidade e realismo o filme de Sanjai é bem superior.

O filme é muito bom, mas sem dúvida a atuação de Ayesha é o que este tem de melhor. Uma interpretação magnífica, impressionante e de certa forma até mesmo aterrorizante de tão realista. Os olhos revirados tão comuns na maioria absoluta dos cegos que geralmente são representados por olhos vidrados com olhar fixo pela maioria absoluta dos atores; a cabeça tombada para um dos lados; o andar com os pés apontados para fora, o tom dos gritos, gemidos, grunhidos exatamente iguais aos dos surdos-mudos; o tremor do corpo, típico de quem não tem consciência do ambiente externo a sua volta; a violência dos movimentos de quem não consegue se comunicar… tudo perfeito, soberbo!

O mais interessante de tudo é que se percebe que a criação da personagem é da menina/atriz e não do diretor, isso fica mais claro quando se compara com a atuação da atriz que interpreta a personagem adulta (a premiada Rani Mukerje) que infelizmente utilizou o que foi criado pela atriz-mirim não dando uma continuidade realista para a personagem. Por mais que a transformação da menina selvagem pra a moça que sabia se comunicar tenha sido imensa e radical, algumas características de ordem física, não teriam se extinguido totalmente, por exemplo: Se os olhos eram completamente revirados, ainda se revirariam em alguns momentos; o sestro de ficar com a cabeça sempre caída pra um dos lados foi aproveitado, mas de maneira muito antinatural.

Macauly Culkin e Lindsay Lohan, foram grandes atores-mirins que deram um impressionante espetáculo nas telas, infelizmente ao contrário de Shirley Temple e Patty Duke eles não se tornaram adolescentes e adultos tão belos e encantadores como quando crianças e não suportaram o peso da comparação que todos insistiam e ainda insistem em fazer de suas imagens de adultos com a de quando crianças – coisa que é um verdadeiro inferno – e terminaram caindo num círculo vicioso de auto destruição para voltarem à chamar atenção da mídia. Espero que Ayesha Kapoor tenha um belo futuro pela frente.

A impressionante atuação de Ayesha Kapoor em Black
A impressionante atuação de Ayesha Kapoor em Black
Quem sabe faz ao vivo
Quem sabe faz ao vivo
Patty Duke em  The Miracle Worker 1962
Patty Duke em The Miracle Worker 1962
A brilhante e encantadora Shirley Temple
A brilhante e encantadora Shirley Temple

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