O “DEUS PAI TODO PODEROSO”

Se você ainda não assistiu o clássico O PODEROSO CHEFÃO por achar que é um filme longo, chato e ainda por cima violento, você não sabe o que está perdendo.

Não vou falar aqui da fotografia maravilhosa, das interpretações magistrais (de Marlon Brando, Al Pacino, Robert De Niro, Diane Keaton, Robert Duval e John Cazale), do roteiro excelente e da direção (do genial do grande Francis Ford Copolla), porque sobre isso muitos já falaram; vou falar aqui sobre a história, afinal para nós, o público, um bom filme é nada mais nada menos que uma história bem contada. A trilogia O PODEROSO CHEFÃO – em especial a parte I e II – são grandes filmes porque contam uma grande história.

Sabe aquele velho ditado “um é pouco, dois é bom e três é demais”? Se aplica bem a saga O Poderoso Chefão. A Parte três deveria ter sido gravada na mesma época da parte 2 (pelo menos até a década de 80), a fotografia e tudo o mais, não “casa” com os dois primeiros filmes. Se você conseguir a façanha de assistir aos três filmes no mesmo dia ou um em cada dia seguido, sentirá isso. É a mesma história, a continuação, o gran finale, mas não se encaixa cinematograficamente/fotograficamente falando.

Com relação à história baseada no livro Homônimo de Mario Puzzo – que também escreveu o roteiro junto com o diretor – você vai ver que a Máfia é muito parecida com igreja, política e Show Business (mundo/ mercado artístico: teatro, cinema, televisão, dança, música e mundo da moda) ou seja: um negócio que depois que você entra dificilmente consegue sair e quando consegue, sai marcado pra sempre; um negócio onde as pessoas fingem fazerem parte por causa de uma ideologia ou fé, mas apenas 10% acredita realmente na causa; um negócio onde as pessoas só entram visando serem ajudadas por outras para conseguirem o que querem na vida; um negócio onde cada um está ali visando os próprios interesses mas finge estarem pensando no coletivo; um negócio onde a principal qualidade que se deve ter para obter sucesso é saber bajular; um negócio onde a troca de favores é a base principal; um negócio onde tem um líder que todos tem que bajular e servir em troca dos favores que a sua influência pode propiciar; um negócio onde as pessoas fingem serem amigas e se amarem mas todos estão dispostos a trair até o seu próprio sangue para alcançarem seus objetivos, e etc, etc… E a grande lição que os filmes nos dão é que praticamente ninguém nesse negócio (s) consegue ser realmente feliz, principalmente os que obtêm mais sucesso, porque é tanta sujeira, mas tanta sujeira, tanta merda, que quanto mais você mexe mais fede, quando você tenta limpar termina se sujando mais ainda e por mais que tente se limpar sempre restam manchas e… o cheiro fica pra sempre.

A personagem Kay (Diane Keaton), a mulher de Michael Corleone (Al Pacino) é a única pessoa íntegra na história toda, a única que entrou para a família apenas por amor e que conseguiu sair limpa de qualquer tipo de culpa, mas levando marcas profundas de tudo o que viveu e testemunhou.

Os personagens são tão humanos que será impossível você não se identificar de alguma forma com algum deles, para sua alegria ou seu espanto.

Pegue aquele dia chuvoso em que você está em casa ou por falta de grana num feriado ou por estar doente, um dia, onde você não tenha nada de importante pra fazer e assista as partes I e II seguidas ou a parte I e a primeira metade da parte II num dia e a segunda metade do II e o III no dia seguinte, e saboreie essa grande história. Você não vai se arrepender!

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Marlon Brando imortalizou Don Coleone e se tornou a imagem/sinônimo de Chefão de Máfia.

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Quem não assistiu o filme não sabe que o verdadeiro “Poderoso Chefão” do título não é o Marlon Brando (Don Vito Corleone) e sim Al Pacino (Michael Corleone).

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Kay (Diane Keaton) a única pessoa de carácter íntegro da história

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Robert De Niro, lindo e jovem como Vito Corleone jovem em O Poderoso Chefão Parte II

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AL Pacino/ Michael Corleone na maturidade:O grande chefão termina solitário e infeliz no final da história.

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