O ÚLTIMO TANGO

Sempre desconfiei que o sonho de todo homem problemático é encontrar uma moçinha imbecil e submetê-la a todas as suas taras para se resolver psicologicamente. Depois de assistir ao filme O ÚLTIMO TANGO EM PARIS eu tive a certeza.

maria e brando

Marlon Brando interpreta o sujeito problemático inconformado por sua esposa, que era uma puritana, tê-lo traído embaixo do seu nariz e cometido suicídio. Ele encontra uma inocente e imbecil aspirante a atriz e inicia com ela um relacionamento doentio, submetendo-a a uma espécie de tortura e castigo que ele queria ter imposto a sua esposa em vingança pela traição ao mesmo tempo que a usa para se autoafirmar como homem. Os pontos mais marcantes do filme sem dúvida são: a hora em que ele faz cruelmente sexo anal com a garota lembrando do quanto a falecida esposa amava a igreja e julgava aquilo um ato abominável (a famosa “cena da manteiga”) e o momento em que ele depois de uma conversa com o amante da esposa descobre que o sujeito é gay, faz a menina o “socratizar” (enfiar o dedo em seu anus).

Mas o protagonista não é o único personagem insano do filme, há também o namorado da garota, um aspirante cineasta que está rodando uma espécie de documentário sobre a vida da própria namorada, fazendo-a recordar de toda a sorte de lembranças de seu passado. Enquanto o viúvo tarado a força viver uma situação de fuga absoluta da realidade e ocultação da identidade, o outro a força a fazer um mergulho absurdo na própria realidade buscando a sua real identidade. O resultado não poderia ser outro: a garota perde a sanidade.

Todos os dias, nas faculdades, Bibliotecas, praças, parques e na internet, em salas de bate papo, em sites de relacionamentos homens casados cornos e mal resolvidos sexualmente procuram por uma Jeannie (a protagonista do filme).

Curioso que até Maria Schnider a atriz que protagonizou o filme se sentiu usada, ela chegou a declarar que o seu trabalho nesse filme lhe causara o maior arrependimento de sua vida, que arruinara a sua carreira e que  Bertolucci (o diretor) era um “gangster cafetão”. Com relação a famosa cena da curra, a “cena da manteiga” ela declarou:”Eu deveria ter chamado meu agente ou meu advogado ao set, porque não se pode forçar alguém a fazer algo que não esteja no roteiro, mas na época, eu não sabia disso. Marlon me disse: ‘Maria, não se preocupe, é só um filme’. Mas durante a famosa cena, mesmo que ele não estivesse me possuindo realmente, eu me senti humilhada e as minhas lágrimas eram verdadeiras. Me senti algo estuprada, tanto por Brando quanto por Bertolucci. Após a cena, Marlon não me consolou nem se desculpou. Felizmente, foi gravado em apenas uma cena.”

Enfim, mais um filme que mostra como é difícil ser mulher num mundo de homens problemáticos.

 

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