COMO SE FAZ CINEMA

cinema

Bem, pra começar, atualmente está tudo muito parecido com cinema: as novelas, os comerciais de televisão, além de praticamente todo mundo que faz vídeos para internet dizer que faz cinema e se auto intitular “cineasta” mesmo que seus filmes nunca tenham sido (e nunca sejam) exibidos em uma sala de cinema. Pois é, por isso que hoje se usa o termo AUDIOVISUAL.

O que é AUDIOVISUAL?

“Audiovisual – o que resulta da fixação de imagens com ou sem som, que tenha a finalidade de criar, por meio de sua reprodução, a impressão de movimento, independentemente dos processos de sua captação, do suporte usado inicial ou posteriormente para fixá-lo, bem como dos meios utilizados para sua veiculação”. (Fonte: Lei 9610/98 – Art. 5° Par. VIII – i)

O que pode ser considerado Audiovisual?

Filmes (para TV, internet ou cinema), comerciais, propagandas, trailers, documentários, séries, seriados, novelas, minisséries, educacionais (ensino à distância, telecurso), eventos filmados ao vivo (esportes, jogos, corridas), vídeo clips de música, entre outros.

O QUE É ROTEIRO?

Roteiro é o filme escrito, é isso aí, tudo o que você vê acontecer no filme foi escrito. Se a primeira cena de um filme são os olhos do personagem principal se abrindo, ele acordando pela manhã, mas você só vê os seus olhos, saiba que no roteiro provavelmente estava escrito: CENA 1 – INTERNA (porque está dentro da casa) DIA (é de manhã, lembra?)… PLANO DETALHE (close nos olhos) OLHOS DE PEDRO (o personagem)… e por aí vai.

Tudo o que acontece, o que os personagens falam e até mesmo o momento em que entra alguma música específica, está escrito no roteiro. Um roteiro mal escrito é como uma história mal contada, pode resultar num filme sem pé nem cabeça ou num filme muito devagar. Mas, muitas vezes o roteiro é muito bem escrito e o diretor, com o perdão da palavra “caga” tudo, trocando a sequência das cenas, fazendo elas mais longas do que foram propostas e aí o resultado é aqueles filmes chatos geralmente rotulados de “filmes de arte ”-embora nem todo filme de arte seja chato – como tem gosto pra tudo, tem quem goste.

Se você – ou alguém que você conhece – teve uma boa ideia pra um filme e escreveu algumas páginas contando a história que você queria que virasse filme, isso é chamado de ARGUMENTO.

Se a ideia que escreveu é só o mote da história tipo: “Milionário sem filhos, velho, doente em estado terminal, decide deixar toda a sua fortuna para o cachorro em testamento e então, surgem seus parentes distantes interessados no dinheiro que tentam matar o cachorro de várias formas.” Isso se chama STORY LINE = a história em uma linha, ou poucas linhas, ou seja, a ideia inicial. Parece com a famosa SINOPSE, com a diferença que na sinopse, a história já tem nome e já está completamente escrita, e assim pode-se acrescentar até uma chamada, pra chamar a curiosidade de quem vai ler o roteiro ou assistir o filme – no caso do filme já pronto – como, por exemplo: “Conseguirá o pobre Rex III escapar da maldade e ambição dos inescrupulosos familiares do Sr. Mac Dowell?”

STORYBOARD

É o roteiro desenhado, muitas vezes chega a parecer muito com uma história em quadrinhos. Nem todos os roteiristas fazem Storyboard, alguns por não saberem desenhar e outros por coerência, afinal, o diretor pode – e geralmente o faz – mudar a ordem das coisas. Na cena dos olhos se abrindo do nosso primeior exemplo, o diretor pode resolver que a imagem seja do rosto inteiro do personagem ou dele inteiro deitado na cama vista do ponto de vista do teto. Em filmes onde há elementos de animação de computação gráfica, como por exemplo, monstros, extraterrestres, duendes, etc… o STORYBOARD é essencial.

 

Outros termos que também são meio parecidos e chegam até a ser confundidos ou considerados como a mesma coisa são: MONTAGEM e EDIÇÃO.

MONTAGEM

O filme é gravado em partes, pedaços que são as cenas e os PLANOS (PLANOS = os ângulos de filmagem,o ponto de vista da câmera, ex: close, de longe, etc…vou explicar sobre eles mais adiante). Bem, é preciso unir, juntar essas partes seguindo a sequência que está no roteiro e é isso que é montagem, é mais ou menos como montar um quebra-cabeça. No passado quando os filmes eram gravados em filmes de rolo, era necessário colar os pedaços de fita num negócio chamado “moviola”, que até hoje é encontrada em lugares onde se fazem restaurações de filmes antigos.

A mãe da famosa Marilyn Monroe era montadora da RKO (antiga empresa de cinema), o nome dela nunca esteve nos créditos de nenhum filme, porque o nome que aparecia nos créditos era sempre o do chefe dela. Era assim, algumas mulheres ficavam ali colando os pedaços de fita seguindo as instruções do roteiro e as ordens do chefe que era o responsável por essa parte o “montador”, que poucas vezes colocava realmente as mãos na massa. Em resumo, existia uma equipe, mas os nomes dos que faziam o trabalho mais pesado não apareciam nos créditos, principalmente porque geralmente eram mulheres.

moviola

Montagem é considerada um dos trabalhos mais difíceis do cinema, filmes de ação e terror são geralmente os mais difíceis, pois numa cena de poucos segundos existem várias imagens diferentes, por exemplo: numa cena de perseguição tem a imagem do rosto do motorista aflito, a imagem do carro correndo, a imagem dos pés do personagem nos pedais do carro (acelerando ou freiando), a mão do personagem trocando de marcha, os olhos do personagem olhando no retrovisor, a imagem do carro do perseguidor no retrovisor, o rosto do personagem voltando-se pra trás, a imagem do carro do perseguidor no para-brisa traseiro, o carro do perseguidor, o rosto do perseguidor, o ponto de vista dele vendo o carro a sua frente, o ambiente(rua ou estrada) onde os carros passam, as rodas do carro passando pela lombada, etc, etc…todos esses pedacinhos de poucos segundos, quase um piscar de olhos, seguidos um dos outros…ufa! É realmente um trabalhão fazer isso…a mãe de Marilyn terminou louca internada em um hospício…mas a maioria dos montadores não fica louco não, principalmente hoje em dia com a tecnologia digital, que facilitou muito as coisas.

EDIÇÃO

Edição pode parecer a mesma coisa que a montagem, mas não é, porque não se resume apenas a montar os pedaços do quebra-cabeça. Na edição melhora-se a imagem (escurecendo ou clareando), adiciona-se a música e os ruídos (que já foram editados pelos editores de áudio), os efeitos especiais e etc. O trabalho de edição é dividido em partes: edição de áudio, edição de imagem, edição de efeitos especiais e na edição final todos os ingredientes são misturados na massa do bolo.

A Montagem e a Edição definem o ritmo de um filme, que pode ser aquela coisa lenta, arrastada, chata ou uma coisa dinâmica, rápida, alucinante, onde quase tudo passa batido ou ainda pode ser perfeita, resultando naqueles filmes que nunca saem da nossa memória.

PLANOS

Então vamos aos PLANOS, em críticas vocês vão ler sempre algo sobre “plano sequência”, o mais comumente criticado, então vamos entender o que são os planos. Como eu disse anteriormente são os ângulos, os pontos de vista do “olho”, da visão da câmera. Então existem o PLANO GERAL que é quando você vê a paisagem, o ambiente inteiro (de uma rua, praia, céu, deserto, cidade, etc.); tem o PLANO DETALHE que é quando se vê em close, (de pertinho, apenas um olho, uma mão, um botão, etc.); oPRIMEIRO PLANO quando vemos, por exemplo, somente o personagem do peito pra cima;PRIMEIRÍSSIMO PRIMEIRO PLANO que é o close do rosto do personagem, por exemplo; e o famosoPLANO AMERICANO  que é quando vemos o personagem da metade do corpo pra cima.

Existe uma curiosidade com relação ao PLANO AMERICANO, sabem por que ele leva esse nome? Por causa dos filmes de Faroeste, onde era necessário mostrar a arma do personagem pendurada ali no coldre no quadril do personagem ao mesmo tempo em que se via seu rosto e seu chapéu; esse enquadramento que fazia com que tudo isso ficasse na tela, nem muito longe que não desse pra ver o rosto e nem muito perto para que desse pra ver a arma na altura do quadril e coxa, foi criado para os filmes de Faroeste pelos americanos, ele curiosamente não existia antes e é por isso que leva esse nome.

PLANO SEQUÊNCIA, são várias imagens no mesmo plano (mesma altura, ângulo e ponto de vista) seguidas parecendo que ligou-se a câmera e saiu gravando direto sem cortes. Em grande parte das vezes, principalmente no passado, era assim mesmo, mas hoje em dia dá pra criar essa ilusão na montagem. Um exemplo seria um personagem subindo escadas, onde se vê apenas os pés deste e vê-se os pés subindo a escada até o fim dela, somente os pés. Isso pode ser feito com a câmera gravando e acompanhando realmente a subida na escada, até o fim, isso seria um autêntico PLANO SEQUÊNCIA.

PLANO SEQUÊNCIA costuma ser confundido com um MOVIMENTO DE CÂMERA chamado Travelling. Mas MOVIMENTO DE CÂMERA é uma coisa e PLANO é outra. Então vamos aos movimentos:

TRAVELLING é quando a câmera “anda” na horizontal, ela pode tanto estar “andando” tanto nas mãos do câmera como num carrinho.

Quando vemos numa cena, por exemplo, um prédio de baixo pra cima – a visão vai subindo até o topo – isso se chama TILT UP, o contrário disso, de cima para baixo, se chama TILT DOWN.

Nos filmes dos anos 60 e 70 eram muito usados o ZOOM IN que é aquela aproximada, aquela chegada perto, aquela aumentada onde a gente vê o rosto ou alguma coisa que estava acontecendo de longe e oZOOM OUT era a “afastada” o distanciamento. Os dois movimentos geralmente ocorriam em cenas de Plano Geral, hoje em dia é muito difícil ver esses movimentos em filmes (a não ser em filmes do Tarantino rsrs).

Agora uma das coisas mais difíceis de se fazer e que deveria sempre ser feito em todas as cenas de flashback e sonho é a chamada CÂMERA SUBJETIVA, que é o ponto de vista do personagem, o olhar do personagem. Quando nos lembramos de algo que nos aconteceu nós não nos vemos na situação como se fossemos alguém de fora que tivesse assistido o acontecido, a gente lembra do que os nossos olhos viram e nós somente conseguimos nos ver em espelhos, fotos ou filmagens. Conseguimos ver nosso corpo, mas nunca nosso próprio rosto, nossos olhos não saem fora da cara e dão a volta pra gente ver nosso rosto (ainda bem! Já pensou que horror?), assim sendo, em todas as cenas de flashback a visão da câmera devia ser a visão dos olhos do personagem. Quem sabe no futuro, essa consciência mais realista, seja aceita e usada por todos os realizadores de audiovisual, afinal o ser humano tende a evoluir – ou não?

PRODUÇÃO

PRODUÇÃO é a parte onde o dinheiro é uma das coisas essenciais. Quando se pega um roteiro e anota-se tudo o que vai precisar para fazer o filme: número de atores (ELENCO), FIGURINO (= roupas), objetos, LOCAÇÕES (= os lugares onde as cenas acontecem) e tudo o mais que se vai precisar pra fazer o filme, é o que se chama DECUPAGEM. O trabalho que se tem para conseguir tudo o que foi compilado na decupagem é o trabalho da produção. Quando você ler numa crítica que a bilheteria ultrapassou em dobro a produção é que o filme gerou mais dinheiro do que foi gasto nele e quando ler que “os Produtores” fizeram o diretor aceitar um ator que não era o que ele havia escolhido, quer dizer que quem conseguiu o dinheiro (RECURSOS) para o filme é quem manda mais, é quem realmente é responsável pela concretização daquele projeto que estava no papel, por isso tem o direito de decidir quem trabalhará no mesmo. Quando ler sobre isso, antes de xingar os produtores ou o ESTÚDIO (= empresa que faz filmes); pense melhor, senão fosse por eles haveriam um número maior de atrizes e atores ruinsPROTAGONIZANDO (= fazendo o papel principal) em grandes filmes só porque transam com os diretores e isso resultaria em grandes filmes que teriam se tornado grandes porcarias. DIRETORES (DIRETOR= o contratado para dirigir um filme) e CINEASTAS (CINEASTA= artista que cria filmes geralmente escritos e dirigidos por ele mesmo), de renome costumam forçar os produtores a aceitarem os seus “protegidos”.

Enfim, é isso, dei uma explicada básica nos mais básicos termos técnicos do cinema/audiovisual.

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