50 Tons de Cinza: O polêmico filme

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50 Tons de Cinza estreou com louvor nos cinemas brasileiros apesar de uma enxurrada de críticas de gente que detesta os livros por puro preconceito, conceito formado antes de conhecer e sem sequer saber do que realmente se trata.

O livro e o filme contam a história de uma moça tímida, estudiosa que perde a virgindade com um jovem bem sucedido milionário que tem uma origem muito triste , é maníaco pela prática sexual BDSM e se recusa a se envolver emocionalmente. Numa sociedade que cobra e exige que toda mulher seja uma puta que faça sexo com homens e mulheres, que depile completamente os pêlos pubianos como uma atriz de filme pornô, que beba muito e considere maconha uma coisa sagrada, que nunca se apaixone, que deteste romance  e que comece a ter esse comportamento a partir dos 12, 13 anos de idade, a personagem  protagonista do filme, Anastasia é um péssimo exemplo e os que se revoltaram contra o filme temem que o exemplo seja seguido ou que as mulheres se aceitem como são e deixem de correr atrás desse estereótipo que a sociedade exige.

O sucesso de bilheteria do filme provou para toda a sociedade que ainda existem mulheres heterossexuais, mulheres que gostam de romance, de histórias de amor. Mulheres que gostam de homens e que gostam sim, de sexo, que não é necessário ser puta para gostar de sexo.

Não vou dizer que o filme seja maravilhoso ou uma obra prima, assim como não considero o livro como uma grande obra de arte, mas é um bom filme e na minha opinião, melhor do que o livro.

A parte chata do livro, os diálogos internos de Anastasia (“Minha Deusa interior isso, Meu Subconsciente aquilo, etc), não fizeram parte do livro, bem como o filme não foi narrativo, o que poderia ter acontecido já que no livro a narrativa está em primeira pessoa, ou seja é a protagonista que nos conta a história; isso contribuiu muito para que o filme se tornasse melhor do que o livro e por isso quem não foi ver o filme por não gostar do livro perdeu de ver um bom filme.

O melhor do filme sem dúvida é a trilha sonora, em especial a música incidental, embora seja as músicas “comerciais”, principalmente a de Beyoncé as que vendem o filme e que o público leva na mente. Nas cenas de sexo, a trilha sonora pontua toda a ação, me chamou a atenção uma cena em especial, onde uma música com canto gregoriano, estilo religioso medieval, nos transporta para a ideia de paixão, penitência, entrega, de algo inexplicável como a fé…o limite, o ápice  do prazer e da dor que são as únicas coisas que causam um “apagão” na nossa mente.

As cenas de sexo são de muito bom gosto, quem esperava por pornografia, se deparou com sexo como uma obra de arte. Já as cenas de romance são bem envolventes em cenários de uma fotografia primorosa, com destaque para a cena do vôo no aeroplano.

Se no livro quem cativa o público é Christian Grey, no filme, quem nos conquista é Anastasia. A diretora Sam Taylor, parece ter se preocupado em fazer Anastasia menos insegura do que aparece no livro, parecendo ser forte e decidida e Christian teve seu lado arrogante e agressivo bem menos acentuado do que vemos no livro. Talvez a diretora tenha feito essa opção por decisão própria ou pressão do estúdio, dos produtores para agradar ao público que não é fã dos livros e para não fortalecer os argumentos de pessoas que tentaram incitar o público a pensar que a história mostrava violência doméstica. Todas as vezes que Anastasia diz “não” para Christian, vemos uma força de decisão que não há na personagem no livro e vemos também dor e insegurança em Christian, no lugar da fúria que toma conta dele no livro que é a reação dele para a dor, angústia, insegurança e demais sentimentos do tipo.

O melhor termômetro de como esse filme chegou nas pessoas foi a reação das pessoas durante e principalmente após o filme. Geralmente filmes de suspense são os que mais geram conversas na saída da sala de projeção e nos banheiros dos cinemas e 50 Tons foi uma exceção a essa regra. As mulheres ficaram no banheiro conversando sobre o filme e não apenas entre as amigas, também com as estranhas e as conversas não giraram apenas em torno da beleza de Christian Grey ou do final brusco que para quem não leu o livro foi surpresa, mas sim sobre todos os aspectos do filme, todos os temas abordados.

Há quem ache que somente mulheres foram ver o filme e que apenas elas foram capazes de gostar, ledo engano. Na sessão em que eu estive haviam vários casais e os comentários dos homens eram sobre os carros e o poder financeiro de Christian e também sobre a beleza de Dakota Johnson. Tanto homens como mulheres se mantiveram tensos de atenção durante toda a exibição, as pessoas pouco se mexiam, foi aquele tipo de reação que costumamos falar “as pessoas nem piscavam”.

Alguns dos comentários que mais me chamaram a atenção foram:

Sobre a primeira cena de sexo no quarto da dor, quando ele mostra para ela como uma submissa deve se comportar e a relação sexual deles: “Ele não mandou ela chupar ele e nem comeu o c@ dela, não é tão ruim assim, não”

“O povo dizendo que tinha abuso, ele não enfiou o p@u na boca dela nem no c@ dela, abuso o rabo de quem falou!”

Depois que eles saem do quarto, Christian com Anastasia nos braços:

“Matou a coitada!” – comentário feito por um homem, que gerou risos.

Sobre a cena das chicotadas:

“Isso aí deve doer menos do que fazer anal.”

“Se um cara falasse pra mim, o que você prefere, dar o c@ ou levar umas chicotadas com esse chicote aí, eu preferia o chicote.”

Sobre a cena das cintadas:

“Os dois estão nervosos, acabaram de discutir, não estão no clima, dessa vez vai doer!”

“Mulher burra, o cara não quer bater e ela pede, agora vai machucar, ela não tá com tesão, tá chorando!”

“Dar o c@ dói muito mais do que levar uma surra de cinta!”

Depois dessa cena, quando Anastasia chora no quarto:

“Foi ela que pediu e agora fica chorando?”

“O cara não queria bater, foi ela que pediu, agora fica chorando.”

No banheiro depois do filme:

“Aquele negócio de ficar de joelho no chão é humilhante…”

“Humilhante é ter que ficar de joelho e o cara empurrando o p@u na boca da gente com tudo…”

“Humilhante mesmo é o cara gozar na cara da gente,isso é que é humilhação.”

“Submissão é ter que dar o c@ , deixar o cara gozar na nossa boca, na nossa cara e isso a gente tem que fazer direto.”

“O cara é só um cara que não quer se envolver, como ele tem de monte por aí, pelo menos ele come ela direito.”

“Os caras hoje em dia nem comem, só abaixam a calça e falam: chupa aí!… Aquilo é que é homem! Come a mulher gostoso!”

“Bando de bunda mole, por isso que ficam putos da gente gostar do Christian Grey!”

Enfim, o sucesso do filme se deve ao fato de que se trata simplesmente de uma história de amor entre um HOMEM e uma MULHER. Christian Grey representa o macho alfa que está em extinção num mundo de macho beta com disfunção erétil por consumo excessivo de álcool e maconha e excesso de mimos por parte de suas mães. Uma geração que aprendeu o que é sexo com a pornografia.

Com relação a continuação, boatos dizem que talvez mude a diretora porque a escritora E.L James quer escrever o roteiro dos próximos filmes , ter mais controle sobre a obra cinematográfica e principalmente porque teve vários desentendimentos com a diretora Sam Taylor. Se isso acontecer será realmente uma pena, não só porque Taylor fez um excelente trabalho mas porque um outro diretor – principalmente se for um homem – pode mudar tudo e para pior. Acho que isso não vai acontecer penso que trata-se apenas de estratégia de marketing  para continuar mantendo o assunto do filme no foco da mídia. Agora é esperar até o final de 2016.

REVOLTADOS E MADONNA 

Brigas feias aconteceram em comentários nas redes sociais, em grupos de cinema do Facebook quem ousou escrever que iria ver o filme ou que tinha visto e gostado foi agredido das formas mais torpes que se possa imaginar pelos revoltosos críticos e amizades se transformaram em inimizades e amizades que estavam nascendo chegaram ao fim.

Se o  livro e o filme contasse a história de uma lésbica mal resolvida que mantivesse relações sexuais e envolvimento amoroso com homens e mulheres – desde os 13 anos – e por isso se considerasse bissexual (supondo que a bissexualidade realmente exista),  o filme teria sido melhor aceito. Se Christian Grey fosse mais um gay mal resolvido que mantivesse relações sexuais com homens e mulheres e por causa disso se considerasse bissexual e/ou fosse um sujeito todo tatuado, cheio de piercings, drogado e que praticasse o BDSM em boates e em grupos, o filme teria sido melhor aceito. Se Anastasia fosse uma puta negra de uma favela e Christian Grey um traficante poderoso chefe de morro que a espancasse por ela cheirar demais o produto que ele vende, o filme teria sido melhor aceito. Melhor aceito por quem? Pelos que criticaram, que são: pessoas mal resolvidas sexualmente, viciados em pornografia na internet e/ou que não sabem o que diabos são, se são homossexuais, bissexuais, etc…; feministas lésbicas enrustidas que querem tomar o lugar dos homens na cadeia de poder da sociedade sob o disfarce de luta pelos direitos das mulheres, ou seja, elas não querem igualdade querem simplesmente tomar o poder das mãos dos homens, nem todas feministas são assim, mas grande parte sim, e essa grande parte é que se revoltou contra o filme.

Madonna foi a primeira artista a mostrar para o mundo o universo do BDSM nos anos noventa com o seu álbum “Erótica” , a música tema falava sobre uma dominatrix e no clip da música, assim como nas fotos que ilustravam o CD as imagens mostravam o BDSM como uma prática sexual bizarra feita em grupo, com muitos gays e orgias com homens, mulheres, gays e lésbicas. Na mesma é poca a cantora lançou o livro SEX. Tanto CD como livro não fizeram sucesso, o álbum só não foi um completo fracasso por causa da balada romântica “Rain”.

Agora a rainha da música Pop tem uma concorrente à altura: Beyoncé, que além de realmente cantar e cantar bem é uma show woman no palco de show cantando(realmente) e dançando. Beyoncé é uma mistura das melhores qualidades de Madonna, Mariah Carey e Withney Houston, além de ser melhor atriz do que as três. Eu sou fã de Mariah Carey, tenho discos das três cantoras rainhas , não tenho nenhum CD da Beyoncé e estou reconhecendo isso.

Bom, como sabem que Madonna gosta de pegar carona em polêmicas e por ela ter sido como disse antes a primeira a expor na mídia o BDSM, e por ser uma das artistas que mais sexualizou sua imagem, a imprensa questionou a rainha sobre o livro 50 Tons de Cinza e sua opinião foi usada para fazer propaganda negativa do filme.

Madonna e toda a sua assessoria que devem estar inconformados de outro alguém ter conseguido muito sucesso com uma obra abordando o BDSM e pior ainda em forma de romance, quando ela a rainha do sexo conheceu o fracasso pela primeira vez justamente fazendo mesmo e sendo a pioneira na coisa não poderia de forma alguma falar algo de positivo sobre a obra literária e muito menos pela cinematográfica, já que a única frustração de Madonna é justamente não ter alcançado sucesso com nenhuma de suas obras cinematográficas de conteúdo, o fracasso de “Corpo em Evidência”, filme em que ela e sua assessoria colocaram todas as fichas em transformá-la em um ícone também do cinema e fazê-la ganhar também a alcunha de grande atriz, ainda pesa em sua carreira. Para piorar a música tema do filme é de Beyoncé a sua grande concorrente e que não pode ser derrubada como aconteceu com Britney, Aguilera e outras, afinal, ela não é viciada em drogas e tem uma família normal.

Tudo isso levou a assessoria de Madonna instruí-la a dizer que 50 Tons é bom para quem nunca fez sexo e o lado da imprensa que queria prejudicar o sucesso da estréia do filme à divulgar isso na véspera da estréia do filme.

O único público que se manteve fiel à Madonna é o público gay, o da época dela, o público gay dessa geração ela divide com Beyoncé, divide, ficando com a menor parte.

Mas enfim, 50 Tons de Cinza, tanto o livro quanto o filme e ao meu ver principalmente o filme foi feito para MULHERES HETEROSSEXUAIS, é a história de uma mulher, contada por essa mulher, criada, escrita por uma mulher e no cinema dirigida por uma mulher. MULHER de verdade, não lésbica, bissexual, feminista, supermulher, etc… MULHER, simplesmente MULHER, nós ainda existimos e vamos continuar comprando livros feitos para nós e vamos ver os filmes feitos para nós, quer essa sociedade confusa e esse multidão de gente mal resolvida sexualmente, de homens impotentes tanto sexualmente como quanto figura masculina de gente que não sabe se é macho ou fêmea queiram ou não queiram.

 

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