El Cinema de los Hermanos

Estou cada vez mais impressionada com o Cinema Argentino! São muitos filmes bons e bons em tudo, roteiro, fotografia, atuação ,etc… E o que mais impressiona é como eles conseguem fazer muito com tão pouco, ou seja, fazem bem feito mesmo com pouco dinheiro.

Cito aqui 3 filmes Argentinos recentes muito bons, para quem ainda não conhece o cinema dos “Hermanos”, conhecer.

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RELATOS SELVAGENS (Damián Szifron ,2014)

Esse é bem recente e é do tipo que agrada a gregos e troianos porque tem um pouco de tudo: comédia, drama, suspense e ação.

São 6 histórias curtas onde o tema principal é a vingança, é impossível não se identificar com algum dos personagens das histórias e pensar “eu também sentiria vontade de fazer isso”.

A história do restaurante foi a que mais mexeu comigo.

Do ponto de vista técnico, o plano da porta , quando a noiva foge da cozinha para a cobertura do prédio, me chamou muito a atenção pela criatividade. A câmera vai e volta com a porta, parece estar na porta, boa sacada da direção de fotografia.

Com relação ao áudio, se destaca a cena do homem escutando uma das músicas da trilha sonora do filme Flashdance no carro novo. A fotografia dessa cena é fantástica, mas senão fosse a maneira como o áudio foi modulado, nos fazendo ter a nítida sensação de que estávamos dentro do carro de luxo com o personagem, ela não seria tão perfeita.

O filme empolga, diverte, mexe com nossos nervos e também nos faz refletir. Vale muito a pena ver.

 Benjamim Esposito (Ricardo Darín)  e Sandoval (Guillermo Francella)
Benjamim Esposito (Ricardo Darín) e Sandoval (Guillermo Francella)

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS (Juan José Campanella, 2009)

O filme Argentino que ganhou o Oscar que o cinema brasileiro cobiça há anos. Temos que nos conformar, desde que começou a fazer filmes  de qualidade, o que aconteceu de uns anos pra cá, o cinema brasileiro ainda não produziu um filme que chegasse nem aos pés desse.

A história é excelente, a maneira como é contada foge um pouco do padrão comercial, mas não é aquela coisa sem pé nem cabeça de filmes Europeus e brasileiros, é “bem contada” em linguagem universal, todos em qualquer parte do mundo são capazes de compreender, e é isso o que faz um filme ser merecedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Não há como não se envolver com a história, sofrer com os percalços e injustiças sofridas pelos personagens e sentir-se realizado com o final.

As personagens são apaixonantes, destaque para o “borracho” Sandoval (Guillermo Francella), o melhor amigo de Esposito (Ricardo Darín), o protagonista, que garantes bons momentos de humor ao drama, nos momentos certos.

O envelhecimento e rejuvenescimento dos atores impressiona, um belo trabalho da maquiagem em harmônica união com a fotografia e a atuação.

Assista e verá como vai torcer, do começo até o fim, para a punição do assassino de Liliana e a paz de espírito de Esposito.

As "Medianeras"
As “Medianeras”

 

MEDIANERAS (Gustavo Taretto, 2011)

Filme que nos apresenta fenômenos da nossa sociedade atual, fenômenos surgidos no século XXI.

O quanto à organização da cidade e da nossa sociedade atual, a arquitetura de uma cidade, a tecnologia e o estilo de vida urbano do mundo capitalista globalizado pode influenciar na vida e nas relações das pessoas, é isso o que se vê nesse filme.

As partes narrativas do filme são bem chatas, mas para qualquer pessoa muito habituada a internet, pode não incomodar. Uma pessoa que tem paciência para ver vlogs do You Tube, por exemplo, com certeza não vai achar chato como eu achei.

Momentos que merecem atenção: as cenas em que a protagonista, Mariana sofre com a música tocada ao piano pelo vizinho do apartamento ao lado do seu que refletem e às vezes influenciam no seu estado de espírito. Em nenhum momento vemos o vizinho que toca o piano, mas pelo estado emocional da personagem, nos envolvemos de tal forma, que assim como ela sentimos vontade de ir até ele e quebrar o maldito piano ou de agradecê-lo. Destaque para o momento onde ela escuta uma música extremamente triste e ao bater na parede já não suportando mais, a execução da música para e se inicia uma mais alegre, como se o vizinho imaginasse o que poderia estar acontecendo com o emocional de sua vizinha.

É fácil se angustiar de ansiedade esperando pelo momento em que Martin e Mariana vão finalmente travar contato, já que vivem uma realidade tão parecida e têm tudo para completar um ao outro.

A cena da conversa dos dois pelo chat merece destaque; quando ao ser questionado por ela sobre como ela poderia ter certeza de que se tratava realmente de um homem que estava ali, ele responde: “escrevo como homem, penso como homem e ajo como homem”… É nessa cena que ocorre o grande e último plot point (ponto de virada da história) do filme, não tem como não praguejar e lamentar o momento que falta luz.

Vale muito a pena ver, mas já adianto que o final pode desagradar um pouco, porém as cenas mostradas nos créditos finais aliviam a sensação de decepção com o final.

Abra uma janela na sua “medianera”, deixe o preconceito e a rivalidade futebolística de lado e conheça o cinema dos “Hermanos”!

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