O QUE REALMENTE ACONTECEU NO OSCAR 2017

O Oscar 2017 foi um grande “conserto” da polêmica do “Oscar so White”, o “Oscar Branco” do ano passado, onde houveram muitos protestos pela falta de negros entre os indicados. Para “consertar” o “erro” do ano anterior indicaram e premiaram o maior número de artistas e realizadores negros possível.

Porém, os brancos resolveram protestar contra isso e eis o que aconteceu:

No momento de anunciar o vencedor do prêmio de Melhor Filme, Faye Dunaway e Warren Beatty que já sabiam, ali pelos bastidores quem era o vencedor, se recusaram a anunciar o mesmo e Faye anunciou o nome do filme que toda a comunidade da indústria cinematográfica julgava ser o merecedor do prêmio, o musical La La Land.

HOLLYWOOD, CA – FEBRUARY 26: Actors Faye Dunaway (L) and Warren Beatty speak onstage during the 89th Annual Academy Awards at Hollywood & Highland Center on February 26, 2017 in Hollywood, California. (Photo by Kevin Winter/Getty Images)

É claro que a produção que sabia exatamente quem era o vencedor entrou em pânico e mandaram o pobre do apresentador correr e tentar “consertar” a coisa de uma forma cômica, só que o próprio também estava tão surpreso que não soube como agir.

O produtor de La La Land ao ver o desespero da produção, desconfiou e revelou tudo. O nome do ganhador estava ali no envelope nas mãos de Warren todo o tempo, o produtor mostrou a toda a platéia, mas mesmo assim, o apresentador chegou cobrindo com panos quentes e chamou Warren para se justificar e o veterano deu a desculpa mais esfarrapada que a pessoa que falou no ponto eletrônico no ouvido dele conseguiu inventar.

Enfim, cagadas consertadas gerando mais cagadas que tiveram que ser consertadas…e às pressas, milhões foram pagos para a séria empresa de auditoria confirmar a desculpa esfarrapada.

Enfim, todos os indicados eram bons filmes e merecedores do prêmio, não foi uma grande injustiça Moonlight ganhar. Assim como Spotlight, o vencedor do ano passado, esse filme muito em breve será esquecido pelo grande público e entrará para a caixa de mais um filme sobre negros, racismo e homossexualidade ganhador do Oscar.

O grande beneficiado com toda essa confusão é sem dúvida La La Land, além de para a comunidade da indústria cinematográfica ser considerado o Melhor filme, pela tradição de que o filme que ganha os principais prêmios no Globo de Ouro e os prêmios das categorias músicas, fotografia, Melhor Atriz (protagonista) e direção sempre é o “melhor filme do ano” ; a quantidade de gracinhas feitas na internet pelos haters do filme e as homenagens feitas pelos admiradores, faz com que La La Land entre para a história e seja lembrado por muitos e muitos anos.

LEONERA

Leonera é o nome que se dá para o local aonde se deixam presos os leões, em especial as leoas quando está prenha ou amamentando filhotes. E esse é o nome de um filme Argentino com o nosso Rodrigo Santoro que vale a pena ver.

Martina Gúsman que interpreta a protagonista além de ser produtora executiva do filme e esposa do diretor Pablo Trapero
Martina Gúsman que interpreta a protagonista além de ser produtora executiva do filme e esposa do diretor Pablo Trapero

Leonera é mais uma prova do quanto o cinema argentino é bom. Esse filme tinha tudo para ser um filme chato, arrastado, sem pé nem cabeça e com atuações ruins como o nosso “Céu de Sueli”, até porque também mostra a história de uma jovem desajuizada que se deixa levar pela vida e paga caro por isso, sofrendo com as consequências, mas para a nossa surpresa o filme é bom. Sem as frescuras de “narrativa não-linear” , “quebra da trajetória do herói”, “desconstrução” e outras invencionices tão na moda hoje em dia junto com inovações malabarísticas de câmera,fotografia e montagem, o filme conta a história, uma história real, (no sentido que é algo que acontece na nossa realidade) e conta de forma simples eficiente, porém envolvente. Não é nenhuma obra prima, mas vale a pena ver e observar como se pode manter coisas básicas como a trajetória do herói num filme “moderno” e ter um excelente resultado.

A HISTÓRIA

Uma jovem acorda em meio a sangue e por viver entorpecida, sai de casa e segue sua rotina normal, somente se dando conta de que há algo de muito errado quando volta no final do dia para casa e se surpreende ao encontrar na cozinha de seu apartamento, seu ex-namorado degolado e o amante dele também ferido, agonizante. Ela vai presa e como está grávida é mandada para um ala especial em um presídio feminino onde ficam presas grávidas e com filhos de até 4 anos de idade. É então que se dá uma série de acontecimentos que fazem com que a jovem adquira personalidade e uma razão para viver.

Galã multilingue

Rodrigo Santoro surpreende falando o “castellano porteño” muito bem e em mais uma excelente interpretação, uma das melhores do filme.

Leonera, Argentina, 2008

Direção: Pablo Trapero

1h 53min

Prostituta da Arte

Há uns anos atrás numa oficina de contação de histórias, a professora falou uma frase que se fixou em minha memória e que atualmente ando refletindo muito sobre ela : “Não quero ser prostituta da minha arte.”

O contexto onde foi dita essa frase, foi o seguinte: A professora estava falando sobre as críticas que ela recebia por não aceitar convites para contar histórias em alguns, lugares e situações como por exemplo, em festas infantis, que é um ambiente totalmente inapropriado para a realização dessa atividade, por motivos óbvios. Bem as críticas ocorriam baseadas na questão financeira, no dinheiro,  aquela velha história de sempre: se é para ganhar dinheiro, “vá há qualquer lugar e faça qualquer coisa” , afinal um artista ganhar dinheiro é algo difícil.

Sabe aquela velha máxima, “o artista tem que ir aonde o povo está”? Pois então, isso só vale quando tem dinheiro na jogada. Vai ter dinheiro? Vá a qualquer lugar e faça qualquer coisa que for preciso fazer ou que consiga fazer. Não tem dinheiro? Não vá e pronto acabou.

Fazer uma coisa que não tem nada a ver com você, que não acrescenta nada para ninguém, algo sem utilidade e sem razão de ser, algo para mero entretenimento de outros, somente pelo dinheiro…para quem é artista de verdade, é triste, muito triste…

Se você que está lendo isso é uma pessoa prática e objetiva, uma pessoa boa em cálculos ou que já viveu situações de miséria, tudo o que estou falando aqui é um monte de abobrinhas, nem perca seu tempo em continuar lendo.

Agora se você é alguém com algum pingo de sensibilidade, continue, talvez você consiga compreender a coisa toda.

APTIDÃO NATURAL

Imagine que você é uma pessoa com uma aparência atraente, que gosta de sexo e não tem nenhum trauma, complexo e mania ou orientação, opção diferente, enfim, você não tem nenhum problema sexual, leva uma vida sexual normal e satisfatória. Você faz sexo com pessoas com quem você está apaixonado, pessoas com quem você e tem algum tipo de relacionamento ou simplesmente pessoas por quem sinta uma forte atração física e a coisa seja recíproca. Bem, um belo dia alguém sugere que você passe a fazer sexo por dinheiro, que transforme isso em profissão e os principais motivos que levam a pessoa a fazer essa sugestão são: Você ser bom de cama e ser pobre, ou seja, precisar de dinheiro.  E então várias pessoas começam a sugerir o mesmo e o número delas cada vez aumenta mais e então surge aqueles que já se vendem e mostram que dá mesmo para ganhar dinheiro e a coisa vai piorando, o que era apenas uma sugestão começa a virar uma cobrança constante e aí surgem mais pessoas concordando e cobrando e então começa a pressão, que vai ficando cada vez mais forte até um limite quase insuportável.

Somente porque você é gosta, é bom no que faz e é pobre, você tem que deixar os sentimentos, o seu direito de escolha e os seus princípios e SE VENDER. Você deve fazer algo que você gosta , que você faz por amor e com carinho por dinheiro, só porque você deu o azar de nascer pobre e no meio da miséria e de pobres de espírito.

Em resumo, nasceu com aptidão natural e tá na merda, se venda!

Se imaginou na situação? Pois é isso que muitos de nós artistas vivemos todos os dias.

TEMPO ANTIGO

Isso não é algo novo, desde a antiguidade artistas passam por isso, mas quando atividades artísticas se tornaram profissões regulamentadas a coisa piorou e depois do surgimento do show business, onde “arte” se tornou um negócio, a coisa toda se tornou o inferno que é hoje.

Existem muitas histórias de pintores, escultores e até alguns músicos, cujas obras de arte só foram valorizadas após a morte dos artistas. É comum as pessoas se surpreenderem ao saberem que um quadro que hoje é vale milhões foi pintado por um sujeito que viveu e morreu na miséria, mas o que pouca gente sabe é que talvez o artista não quisesse vender o seu quadro, por valor nenhum, que o artista não pintava ou esculpia pra ganhar a vida, porque não sabia, não servia ou não queria fazer outra coisa da vida.

Obra de arte ser feita como um produto para ser vendido, de certa forma sempre existiu, mas as grandes obras primas, a maioria delas, não foi feita apenas pelo dinheiro que mataria a fome ou compraria bens, elas não foram feitas como um “trabalho”.

No tempo antigo a palavra “trabalho” não era associada a palavra ARTE e muito menos era sinônimo. Artistas não eram considerados “trabalhadores” e nem queriam esse título – alguns inclusive o abominavam – artista era uma outra categoria de gente, uma categoria à parte, diferente da nobreza, dos religiosos e da plebe trabalhadora e admirados e exaltados justamente por causa disso. Se nascesse pobre tinha que encontrar um mecenas, e é claro que como naquela época só eram reconhecidos os artistas genuínos, os realmente dotados de talento e persistência sempre encontravam algum, seja na nobreza, no clero ou nos tempos mais modernos na burguesia.

Hoje, por causa da mercantilização, da arte ter se tornado um negócio, de ter se tornado uma atividade qualquer, que qualquer um pode aprender numa escola, as grandes obras de arte, as obras primas, desapareceram, só existem as do passado, nos museus. Até existem artistas genuínos, mas estes são logo prostituídos e se tornam infelizes viciados ou deprimidos.

PESO NA CONSCIÊNCIA

Imagine ir para a cama com pessoas por quem você sente nojo apenas pelo dinheiro e pela pressão de pessoas martelando na sua cabeça que era o melhor a ser feito… É assim que se sente um artista pobre todas as vezes que tem que fazer algo que não tem nada a ver com o seu perfil ou mal feita, para um público que se contentaria ou ignoraria com qualquer coisa que lhe oferecessem.

Muitas vezes os artistas jogam pérolas aos porcos, outras se atiram na jaula dos leões. Com o tempo não busca mais pérolas e passa a produzir uma boa e substanciosa lavagem e aprende a manejar o chicote e quando se joga aos leões, fazem as feras pularem arco de fogo e até entrarem na água…vai aprendendo a sobreviver no mundo cão, mas vai perdendo a sua essência de artista e aí vem o peso na consciência.

O artista vê os ignorantes aplaudirem e parabenizarem as merdas que ele faz, se deliciarem e se lambuzarem com a lavagem, com as chicotadas… vem o dinheiro, sempre pouco perto de todo o sacrifício e esforço feito, porque quanto mais merda for, quanto mais fácil for de fazer, menos arte e assim, mais stress, mais esforço e sacrifício da mente, da alma… o dinheiro maldito que não rende, que não traz felicidade, pois com a consciência pesada, tudo o que você compra não traz felicidade; a comida não alimenta porque o eu está faminto e sedento de paz; o corpo não se alimenta porque não se recupera no sono, porque a mente não relaxa para sonhar, a consciência pesa demais, as coisas materiais não satisfazem porque não podem preencher o vazio, os relacionamentos não criam raízes porque a terra do coração está árida…

 

A IGNORÂNCIA É UMA VIRTUDE

Isso já virou tema de filme, inclusive do último vencedor do Oscar, Birdman.

Muita gente não entendeu o filme e é aí que a gente vê o significado do outro título do filme “A inesperada Virtude da ignorância”.

Como são felizes os ignorantes! Como é ruim ter consciência dos fatos!

As pessoas que possuem consciência se dividir em dois grupos: aqueles extremamente sonhadores que acreditam em tudo o que não existem e confiam em tudo o que não é de confiança, que se acham o máximo, mas acreditam que são um poço de humildade – e isso é justamente o que indica que não são humildes, pois quem realmente o é, não acha que é e muito menos diria que é – mas que possuem uma vozinha interior que fala toda a verdade para eles, que martelam todos os dias dizendo: “você está errado” , “isso é besteira”, “você não vai conseguir”,”como você pôde ser tão falso?”, “não minta tanto!”, “você nunca vai ser tão bom quanto ele/ela”, “você vai se arrepender de ter feito isso”, “Deus ou o seu santo não vai poder te ajudar nessa, o que você fez é errado”, etc…

E aqueles realistas que só acreditam no que vêem, que necessitam de provas para acreditar e confiar, que analisam, que refletem, que acham que nunca são bons o suficiente em nada, que sempre há muito o que fazer e o que melhorar e que possuem uma vozinha interior imbecil que diz: “Vai lá, você consegue!”, “Se valoriza!” , “Essa pessoa não vale tudo isso.”, “você errou tudo bem, esqueça e comece de novo”, “tente outra vez!”, “você fez o melhor que poderia fazer”, “Não pense tão negativo!” etc…

Ignorar a realidade é uma benção, a ignorância é uma virtude. A pessoa que ignora a realidade e a verdade e quer continuar ignorando é uma pessoa virtuosa e será sempre feliz. Vilões sempre dão gargalhadas e retardados sorriem o tempo todo…são arquétipos universais.

Se o artista for abençoado com a virtude da ignorância, será feliz se prostituindo da mesma forma que prostitutas que se vendem nas calçadas sentem orgulho de sua “profissão”, se não for um virtuoso a consciência vai pesar muito com a prostituição.

Em Birdman, após se prostituir muito , o artista decide fazer arte de verdade, sendo o seu próprio mecenas, mas o resultado, o que sobrou , as consequências dos anos de prostituição são pedras enormes no caminho, os porcos cobram a lavagem e os leões querem levar chicotadas e para piorar tudo ele tem uma parte de sua consciência totalmente prostituída, uma puta genuína que o atormenta o tempo todo… só há uma solução: deixar de ser artista… Ser ou não ser; eis a questão. Há como deixar de ser aquilo que se é? Isso não significaria morrer?

SER OU NÃO SER PROSTITUTA da própria arte?

Eis a questão, a dúvida cruel… os prognósticos por parte daqueles que fazem pressão é sempre o pior possível:

“Vai passar fome”, “uma hora a água vai bater na bunda”, “isso é orgulho e na hora que a barriga roncar virá de quatro pedindo Pelo Amor de Deus”, “Um dia vai topar fazer qualquer coisa” , “Quando a beleza e a juventude acabar vai se ferrar feio”,etc, etc…

Existem aqueles que dizem “Siga o seu coração!”

Se um artista é alguém sensível, “seguir seu coração” parece ser o que mais “combina” com a sua maneira de ser e sendo assim o mais coerente a ser feito.

 

 

 

 

 

El Cinema de los Hermanos

Estou cada vez mais impressionada com o Cinema Argentino! São muitos filmes bons e bons em tudo, roteiro, fotografia, atuação ,etc… E o que mais impressiona é como eles conseguem fazer muito com tão pouco, ou seja, fazem bem feito mesmo com pouco dinheiro.

Cito aqui 3 filmes Argentinos recentes muito bons, para quem ainda não conhece o cinema dos “Hermanos”, conhecer.

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RELATOS SELVAGENS (Damián Szifron ,2014)

Esse é bem recente e é do tipo que agrada a gregos e troianos porque tem um pouco de tudo: comédia, drama, suspense e ação.

São 6 histórias curtas onde o tema principal é a vingança, é impossível não se identificar com algum dos personagens das histórias e pensar “eu também sentiria vontade de fazer isso”.

A história do restaurante foi a que mais mexeu comigo.

Do ponto de vista técnico, o plano da porta , quando a noiva foge da cozinha para a cobertura do prédio, me chamou muito a atenção pela criatividade. A câmera vai e volta com a porta, parece estar na porta, boa sacada da direção de fotografia.

Com relação ao áudio, se destaca a cena do homem escutando uma das músicas da trilha sonora do filme Flashdance no carro novo. A fotografia dessa cena é fantástica, mas senão fosse a maneira como o áudio foi modulado, nos fazendo ter a nítida sensação de que estávamos dentro do carro de luxo com o personagem, ela não seria tão perfeita.

O filme empolga, diverte, mexe com nossos nervos e também nos faz refletir. Vale muito a pena ver.

 Benjamim Esposito (Ricardo Darín)  e Sandoval (Guillermo Francella)
Benjamim Esposito (Ricardo Darín) e Sandoval (Guillermo Francella)

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS (Juan José Campanella, 2009)

O filme Argentino que ganhou o Oscar que o cinema brasileiro cobiça há anos. Temos que nos conformar, desde que começou a fazer filmes  de qualidade, o que aconteceu de uns anos pra cá, o cinema brasileiro ainda não produziu um filme que chegasse nem aos pés desse.

A história é excelente, a maneira como é contada foge um pouco do padrão comercial, mas não é aquela coisa sem pé nem cabeça de filmes Europeus e brasileiros, é “bem contada” em linguagem universal, todos em qualquer parte do mundo são capazes de compreender, e é isso o que faz um filme ser merecedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Não há como não se envolver com a história, sofrer com os percalços e injustiças sofridas pelos personagens e sentir-se realizado com o final.

As personagens são apaixonantes, destaque para o “borracho” Sandoval (Guillermo Francella), o melhor amigo de Esposito (Ricardo Darín), o protagonista, que garantes bons momentos de humor ao drama, nos momentos certos.

O envelhecimento e rejuvenescimento dos atores impressiona, um belo trabalho da maquiagem em harmônica união com a fotografia e a atuação.

Assista e verá como vai torcer, do começo até o fim, para a punição do assassino de Liliana e a paz de espírito de Esposito.

As "Medianeras"
As “Medianeras”

 

MEDIANERAS (Gustavo Taretto, 2011)

Filme que nos apresenta fenômenos da nossa sociedade atual, fenômenos surgidos no século XXI.

O quanto à organização da cidade e da nossa sociedade atual, a arquitetura de uma cidade, a tecnologia e o estilo de vida urbano do mundo capitalista globalizado pode influenciar na vida e nas relações das pessoas, é isso o que se vê nesse filme.

As partes narrativas do filme são bem chatas, mas para qualquer pessoa muito habituada a internet, pode não incomodar. Uma pessoa que tem paciência para ver vlogs do You Tube, por exemplo, com certeza não vai achar chato como eu achei.

Momentos que merecem atenção: as cenas em que a protagonista, Mariana sofre com a música tocada ao piano pelo vizinho do apartamento ao lado do seu que refletem e às vezes influenciam no seu estado de espírito. Em nenhum momento vemos o vizinho que toca o piano, mas pelo estado emocional da personagem, nos envolvemos de tal forma, que assim como ela sentimos vontade de ir até ele e quebrar o maldito piano ou de agradecê-lo. Destaque para o momento onde ela escuta uma música extremamente triste e ao bater na parede já não suportando mais, a execução da música para e se inicia uma mais alegre, como se o vizinho imaginasse o que poderia estar acontecendo com o emocional de sua vizinha.

É fácil se angustiar de ansiedade esperando pelo momento em que Martin e Mariana vão finalmente travar contato, já que vivem uma realidade tão parecida e têm tudo para completar um ao outro.

A cena da conversa dos dois pelo chat merece destaque; quando ao ser questionado por ela sobre como ela poderia ter certeza de que se tratava realmente de um homem que estava ali, ele responde: “escrevo como homem, penso como homem e ajo como homem”… É nessa cena que ocorre o grande e último plot point (ponto de virada da história) do filme, não tem como não praguejar e lamentar o momento que falta luz.

Vale muito a pena ver, mas já adianto que o final pode desagradar um pouco, porém as cenas mostradas nos créditos finais aliviam a sensação de decepção com o final.

Abra uma janela na sua “medianera”, deixe o preconceito e a rivalidade futebolística de lado e conheça o cinema dos “Hermanos”!

50 Tons de Cinza: O polêmico filme

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50 Tons de Cinza estreou com louvor nos cinemas brasileiros apesar de uma enxurrada de críticas de gente que detesta os livros por puro preconceito, conceito formado antes de conhecer e sem sequer saber do que realmente se trata.

O livro e o filme contam a história de uma moça tímida, estudiosa que perde a virgindade com um jovem bem sucedido milionário que tem uma origem muito triste , é maníaco pela prática sexual BDSM e se recusa a se envolver emocionalmente. Numa sociedade que cobra e exige que toda mulher seja uma puta que faça sexo com homens e mulheres, que depile completamente os pêlos pubianos como uma atriz de filme pornô, que beba muito e considere maconha uma coisa sagrada, que nunca se apaixone, que deteste romance  e que comece a ter esse comportamento a partir dos 12, 13 anos de idade, a personagem  protagonista do filme, Anastasia é um péssimo exemplo e os que se revoltaram contra o filme temem que o exemplo seja seguido ou que as mulheres se aceitem como são e deixem de correr atrás desse estereótipo que a sociedade exige.

O sucesso de bilheteria do filme provou para toda a sociedade que ainda existem mulheres heterossexuais, mulheres que gostam de romance, de histórias de amor. Mulheres que gostam de homens e que gostam sim, de sexo, que não é necessário ser puta para gostar de sexo.

Não vou dizer que o filme seja maravilhoso ou uma obra prima, assim como não considero o livro como uma grande obra de arte, mas é um bom filme e na minha opinião, melhor do que o livro.

A parte chata do livro, os diálogos internos de Anastasia (“Minha Deusa interior isso, Meu Subconsciente aquilo, etc), não fizeram parte do livro, bem como o filme não foi narrativo, o que poderia ter acontecido já que no livro a narrativa está em primeira pessoa, ou seja é a protagonista que nos conta a história; isso contribuiu muito para que o filme se tornasse melhor do que o livro e por isso quem não foi ver o filme por não gostar do livro perdeu de ver um bom filme.

O melhor do filme sem dúvida é a trilha sonora, em especial a música incidental, embora seja as músicas “comerciais”, principalmente a de Beyoncé as que vendem o filme e que o público leva na mente. Nas cenas de sexo, a trilha sonora pontua toda a ação, me chamou a atenção uma cena em especial, onde uma música com canto gregoriano, estilo religioso medieval, nos transporta para a ideia de paixão, penitência, entrega, de algo inexplicável como a fé…o limite, o ápice  do prazer e da dor que são as únicas coisas que causam um “apagão” na nossa mente.

As cenas de sexo são de muito bom gosto, quem esperava por pornografia, se deparou com sexo como uma obra de arte. Já as cenas de romance são bem envolventes em cenários de uma fotografia primorosa, com destaque para a cena do vôo no aeroplano.

Se no livro quem cativa o público é Christian Grey, no filme, quem nos conquista é Anastasia. A diretora Sam Taylor, parece ter se preocupado em fazer Anastasia menos insegura do que aparece no livro, parecendo ser forte e decidida e Christian teve seu lado arrogante e agressivo bem menos acentuado do que vemos no livro. Talvez a diretora tenha feito essa opção por decisão própria ou pressão do estúdio, dos produtores para agradar ao público que não é fã dos livros e para não fortalecer os argumentos de pessoas que tentaram incitar o público a pensar que a história mostrava violência doméstica. Todas as vezes que Anastasia diz “não” para Christian, vemos uma força de decisão que não há na personagem no livro e vemos também dor e insegurança em Christian, no lugar da fúria que toma conta dele no livro que é a reação dele para a dor, angústia, insegurança e demais sentimentos do tipo.

O melhor termômetro de como esse filme chegou nas pessoas foi a reação das pessoas durante e principalmente após o filme. Geralmente filmes de suspense são os que mais geram conversas na saída da sala de projeção e nos banheiros dos cinemas e 50 Tons foi uma exceção a essa regra. As mulheres ficaram no banheiro conversando sobre o filme e não apenas entre as amigas, também com as estranhas e as conversas não giraram apenas em torno da beleza de Christian Grey ou do final brusco que para quem não leu o livro foi surpresa, mas sim sobre todos os aspectos do filme, todos os temas abordados.

Há quem ache que somente mulheres foram ver o filme e que apenas elas foram capazes de gostar, ledo engano. Na sessão em que eu estive haviam vários casais e os comentários dos homens eram sobre os carros e o poder financeiro de Christian e também sobre a beleza de Dakota Johnson. Tanto homens como mulheres se mantiveram tensos de atenção durante toda a exibição, as pessoas pouco se mexiam, foi aquele tipo de reação que costumamos falar “as pessoas nem piscavam”.

Alguns dos comentários que mais me chamaram a atenção foram:

Sobre a primeira cena de sexo no quarto da dor, quando ele mostra para ela como uma submissa deve se comportar e a relação sexual deles: “Ele não mandou ela chupar ele e nem comeu o c@ dela, não é tão ruim assim, não”

“O povo dizendo que tinha abuso, ele não enfiou o p@u na boca dela nem no c@ dela, abuso o rabo de quem falou!”

Depois que eles saem do quarto, Christian com Anastasia nos braços:

“Matou a coitada!” – comentário feito por um homem, que gerou risos.

Sobre a cena das chicotadas:

“Isso aí deve doer menos do que fazer anal.”

“Se um cara falasse pra mim, o que você prefere, dar o c@ ou levar umas chicotadas com esse chicote aí, eu preferia o chicote.”

Sobre a cena das cintadas:

“Os dois estão nervosos, acabaram de discutir, não estão no clima, dessa vez vai doer!”

“Mulher burra, o cara não quer bater e ela pede, agora vai machucar, ela não tá com tesão, tá chorando!”

“Dar o c@ dói muito mais do que levar uma surra de cinta!”

Depois dessa cena, quando Anastasia chora no quarto:

“Foi ela que pediu e agora fica chorando?”

“O cara não queria bater, foi ela que pediu, agora fica chorando.”

No banheiro depois do filme:

“Aquele negócio de ficar de joelho no chão é humilhante…”

“Humilhante é ter que ficar de joelho e o cara empurrando o p@u na boca da gente com tudo…”

“Humilhante mesmo é o cara gozar na cara da gente,isso é que é humilhação.”

“Submissão é ter que dar o c@ , deixar o cara gozar na nossa boca, na nossa cara e isso a gente tem que fazer direto.”

“O cara é só um cara que não quer se envolver, como ele tem de monte por aí, pelo menos ele come ela direito.”

“Os caras hoje em dia nem comem, só abaixam a calça e falam: chupa aí!… Aquilo é que é homem! Come a mulher gostoso!”

“Bando de bunda mole, por isso que ficam putos da gente gostar do Christian Grey!”

Enfim, o sucesso do filme se deve ao fato de que se trata simplesmente de uma história de amor entre um HOMEM e uma MULHER. Christian Grey representa o macho alfa que está em extinção num mundo de macho beta com disfunção erétil por consumo excessivo de álcool e maconha e excesso de mimos por parte de suas mães. Uma geração que aprendeu o que é sexo com a pornografia.

Com relação a continuação, boatos dizem que talvez mude a diretora porque a escritora E.L James quer escrever o roteiro dos próximos filmes , ter mais controle sobre a obra cinematográfica e principalmente porque teve vários desentendimentos com a diretora Sam Taylor. Se isso acontecer será realmente uma pena, não só porque Taylor fez um excelente trabalho mas porque um outro diretor – principalmente se for um homem – pode mudar tudo e para pior. Acho que isso não vai acontecer penso que trata-se apenas de estratégia de marketing  para continuar mantendo o assunto do filme no foco da mídia. Agora é esperar até o final de 2016.

REVOLTADOS E MADONNA 

Brigas feias aconteceram em comentários nas redes sociais, em grupos de cinema do Facebook quem ousou escrever que iria ver o filme ou que tinha visto e gostado foi agredido das formas mais torpes que se possa imaginar pelos revoltosos críticos e amizades se transformaram em inimizades e amizades que estavam nascendo chegaram ao fim.

Se o  livro e o filme contasse a história de uma lésbica mal resolvida que mantivesse relações sexuais e envolvimento amoroso com homens e mulheres – desde os 13 anos – e por isso se considerasse bissexual (supondo que a bissexualidade realmente exista),  o filme teria sido melhor aceito. Se Christian Grey fosse mais um gay mal resolvido que mantivesse relações sexuais com homens e mulheres e por causa disso se considerasse bissexual e/ou fosse um sujeito todo tatuado, cheio de piercings, drogado e que praticasse o BDSM em boates e em grupos, o filme teria sido melhor aceito. Se Anastasia fosse uma puta negra de uma favela e Christian Grey um traficante poderoso chefe de morro que a espancasse por ela cheirar demais o produto que ele vende, o filme teria sido melhor aceito. Melhor aceito por quem? Pelos que criticaram, que são: pessoas mal resolvidas sexualmente, viciados em pornografia na internet e/ou que não sabem o que diabos são, se são homossexuais, bissexuais, etc…; feministas lésbicas enrustidas que querem tomar o lugar dos homens na cadeia de poder da sociedade sob o disfarce de luta pelos direitos das mulheres, ou seja, elas não querem igualdade querem simplesmente tomar o poder das mãos dos homens, nem todas feministas são assim, mas grande parte sim, e essa grande parte é que se revoltou contra o filme.

Madonna foi a primeira artista a mostrar para o mundo o universo do BDSM nos anos noventa com o seu álbum “Erótica” , a música tema falava sobre uma dominatrix e no clip da música, assim como nas fotos que ilustravam o CD as imagens mostravam o BDSM como uma prática sexual bizarra feita em grupo, com muitos gays e orgias com homens, mulheres, gays e lésbicas. Na mesma é poca a cantora lançou o livro SEX. Tanto CD como livro não fizeram sucesso, o álbum só não foi um completo fracasso por causa da balada romântica “Rain”.

Agora a rainha da música Pop tem uma concorrente à altura: Beyoncé, que além de realmente cantar e cantar bem é uma show woman no palco de show cantando(realmente) e dançando. Beyoncé é uma mistura das melhores qualidades de Madonna, Mariah Carey e Withney Houston, além de ser melhor atriz do que as três. Eu sou fã de Mariah Carey, tenho discos das três cantoras rainhas , não tenho nenhum CD da Beyoncé e estou reconhecendo isso.

Bom, como sabem que Madonna gosta de pegar carona em polêmicas e por ela ter sido como disse antes a primeira a expor na mídia o BDSM, e por ser uma das artistas que mais sexualizou sua imagem, a imprensa questionou a rainha sobre o livro 50 Tons de Cinza e sua opinião foi usada para fazer propaganda negativa do filme.

Madonna e toda a sua assessoria que devem estar inconformados de outro alguém ter conseguido muito sucesso com uma obra abordando o BDSM e pior ainda em forma de romance, quando ela a rainha do sexo conheceu o fracasso pela primeira vez justamente fazendo mesmo e sendo a pioneira na coisa não poderia de forma alguma falar algo de positivo sobre a obra literária e muito menos pela cinematográfica, já que a única frustração de Madonna é justamente não ter alcançado sucesso com nenhuma de suas obras cinematográficas de conteúdo, o fracasso de “Corpo em Evidência”, filme em que ela e sua assessoria colocaram todas as fichas em transformá-la em um ícone também do cinema e fazê-la ganhar também a alcunha de grande atriz, ainda pesa em sua carreira. Para piorar a música tema do filme é de Beyoncé a sua grande concorrente e que não pode ser derrubada como aconteceu com Britney, Aguilera e outras, afinal, ela não é viciada em drogas e tem uma família normal.

Tudo isso levou a assessoria de Madonna instruí-la a dizer que 50 Tons é bom para quem nunca fez sexo e o lado da imprensa que queria prejudicar o sucesso da estréia do filme à divulgar isso na véspera da estréia do filme.

O único público que se manteve fiel à Madonna é o público gay, o da época dela, o público gay dessa geração ela divide com Beyoncé, divide, ficando com a menor parte.

Mas enfim, 50 Tons de Cinza, tanto o livro quanto o filme e ao meu ver principalmente o filme foi feito para MULHERES HETEROSSEXUAIS, é a história de uma mulher, contada por essa mulher, criada, escrita por uma mulher e no cinema dirigida por uma mulher. MULHER de verdade, não lésbica, bissexual, feminista, supermulher, etc… MULHER, simplesmente MULHER, nós ainda existimos e vamos continuar comprando livros feitos para nós e vamos ver os filmes feitos para nós, quer essa sociedade confusa e esse multidão de gente mal resolvida sexualmente, de homens impotentes tanto sexualmente como quanto figura masculina de gente que não sabe se é macho ou fêmea queiram ou não queiram.

 

50 Tons de Cinza: O segredo do sucesso

Jamie Dornan e Dakota Johnson
Jamie Dorman e Dakota Jhonson

Alguns leitores me pediram para falar sobre 50 Tons de Cinza, me perguntaram o que eu achei dos livros, o que espero do filme e a pergunta mais repetida: Qual o segredo do sucesso dessa história?

Daqui há alguns dias o filme baseado livro  estréia nos cinemas e muita polêmica está rolando na internet.

As críticas são muitas: “Como pode as mulheres gostarem de uma história onde tem um homem que gosta de bater em mulheres?”, “Livro para mulher mal-comida”, etc…

Eu não li os três livros (50 Tons de Cinza, 50 Tons mais escuro e 5o Tons de Liberdade) li os dois primeiros e vou começar a ler o terceiro. Não serei hipócrita de dizer que amei o livro, que é um livro que mudou a minha vida, que o considero uma obra-prima. Também não consegui simpatizar com o BDSM (sigla para bondage, dominação e sadomasoquismo = amarrar, mandar e bater e apanhar sentindo prazer), as passagens onde Christian o protagonista, bate em Anastasia,  utiliza seus sex toys nela, não me agradaram, sentir dor, apanhar pra mim, ainda é algo ruim. Embora eu saiba que para o sistema nervoso os estímulos elétricos de dor e de prazer são praticamente a mesma coisa e para o sistema nervoso central a dor extrema e o sufocamento causam o mesmo apagão mental que o orgasmo causa, até por isso o orgasmo ganhou o nome de “a pequena morte”. Quando uma pessoa está muito excitada, a dor se mistura às sensações de prazer (se alguém der uma mordida daquelas de deixar roxo quando não estamos excitados dói muito) e é isso o que o Sr Grey apresenta a Anastasia.

Eu acho que se Anastasia tivesse tido um pai autoritário, severo, controlador ela não teria se apaixonado por Christian, penso que a autora criou bem a situação: Ana é orfã de pai- nem chegou a conviver com ele- e foi criada por um padrasto que é um homem bom e pacato, um verdadeiro “santo”, talvez por isso a personalidade dominadora de Christian tenha sido tão atraente. Como essa figura de pai dominador está praticamente extinta em nossa sociedade, creio que esse seja um dos principais motivos pelos quais as mulheres acham Christian Grey tão atraente.

Bem mesmo não tendo lido todos os livros, li  o suficiente para que pudesse tirar as minhas conclusões sobre o segredo do sucesso dessa história.

1 – O LIVRO

Trata-se de um livro escrito para mulheres, mulheres de verdade, hoje chamadas pejorativamente de “mulher mulherzinha”, porque no momento atual querem que todas as mulheres sejam putas que gostam de transar com mulheres ou feministas. O sucesso do livro, ele ser um Best-seller, mostra que nós, as mulheres de verdade ainda somos um número bastante significativo na sociedade e que apesar de consumirmos menos que os homossexuais (homossexuais consomem duas vezes mais que heterossexuais) , competirmos menos que as feministas e supermulheres e ganharmos menos que os homens, nós temos poder de consumo. Graças a esse poder de consumo o mercado literário voltou a produzir produtos para nós e agora focando mais na abordagem do erotismo e graças ao sucesso desse produto literário o cinema vai finalmente abordar o erotismo do ponto de vista feminino.

Uma história para mulheres, escrita por uma mulher, narrada por uma mulher, ela é:

2- A MULHER

Anastácia é uma mulher de verdade, uma mulher comum, normal, do tipo que encontramos na rua, no ônibus, no metrô, na escola, na operação do caixa da loja, etc…  O fato de não ser uma supermulher emancipada, lutadora que enfrenta tudo e todos para conseguir o sucesso na carreira e sim uma mulher comum, faz com que qualquer mulher em qualquer parte do mundo em algum momento da história se identifique com ela.

3 – O HOMEM

Christian Grey tem um grande problema emocional. Apesar de lindo e milionário ele é o filho de uma prostituta viciada em crack que o deixou com cinquenta marcas de queimadura no tórax, vivia sendo espancada pelo seu cafetão na frente do menino e morreu quando ele ainda estava na primeira infância. É tão traumatizado com esse passado que durante muito tempo não permitiu que Anastasia tocasse o seu tórax. Ele tem consciência do seus problemas psicológicos, ele se trata com um psicanalista. Isso faz de Christian Grey um personagem humano apesar de todos os ingredientes  que fazem dele  “o homem dos sonhos” que são:

a) ele é decidido, toma iniciativa e é autossuficiente.

Num mundo repleto de homens que namoram e se casam para ter alguém para ajudá-los a financiar seus sonhos, para ajudá-los a comprar um apartamento, a pagar o carro, a rachar as contas do mês; um personagem que não precisa da mulher para nada a não ser amor e companhia é realmente extremamente atraente. É ele quem a procura quando se interessa, ele foi atrás.

b) ele é viril

Anastasia não precisa ficar girando manivela para ele funcionar, ele funciona. Ele olha pra ela, vê ela simplesmente morder os lábios e já fica excitado. Ao contrário do que realmente acontece com grande parte dos praticantes de BDSM e outras práticas sexuais exóticas, ele não é dependente do fetiche, da dor para ter uma ereção ou ter um orgasmo, ele tem mesmo fazendo o sexo normal, o “baunilha”. Ele sempre luta um segundo round, depois de um tempinho após gozar ele já está extraordinariamente pronto pra outra. Ele não ficou enchendo o saco, insistindo para que Anastasia fizesse sexo oral nele o outras coisas, ele deixou que ela descobrisse e experimentasse pela própria vontade. Com relação ao BDSM, ele propôs a coisa toda pra ela em contrato antes de se apaixonar, depois de se envolver deixou que ela decidisse entrar no seu mundo, não forçou. E pra finalizar essa parte: ele é bem dotado, a descrição de Anastasia indica isso e o fato da embalagem da camisinha que ele usa ser prateada, indica que ele usa o tamanho extra.

c) ele não quer que ela trabalhe (ele é milionário!)

Um homem que quer sustentar a mulher, um sujeito que em nome do amor deixa de lado o egoísmo, o amor extremo pelo dinheiro e quer dividir o que é seu com a mulher… coisa de sonho… só na ficção mesmo.

É claro que ele quer isso porque ele pode, ele é milionário, mas mesmo assim é algo que deixaria qualquer mulher lisonjeada, mesmo que fosse para não aceitar, porque quando uma mulher sabe o quê ela realmente  gosta de fazer, ela não vai abdicar do direito de trabalhar com aquilo que ela gosta. Christian respeita isso em Anastacia.

d) ele  à ama

Uma coisa tão difícil de se ver, um homem jovem apaixonado… Ele à ama e faz tudo o que está ao seu alcance para fazê-la feliz, inclusive ir contra a sua natureza sombria, conturbada.

4 – AS OUTRAS

A) Leila, uma ex-amante, a ex-“submissa” de Christian talvez seja a personagem mais humana. Ela se apaixonou por Christian mas não teve a sorte de ser correspondida, enlouqueceu, tentou o suicídio e depois de um tempo internada numa clínica psiquiátrica, ela aparece e o encontra  vivendo um romance de verdade com outra que é quase idêntica a ela fisicamente. Aliás, todas as “submissas”  – submissas são as mulheres que assinavam um contrato com Christian para servirem aos seus desejos sexuais, a suas regras de dominação do BDSM – são parecidas fisicamente com a sua falecida mãe. Leila garante o suspense da história, o tempo todo o leitor fica na expectativa de que ela vai provocar uma tragédia.

B) Elena, a mulher madura que iniciou Christian no BDSM. Criatura superior que passa a impressão que nada pode atingi-la. Essa mulher foi uma figura marcante na vida de Christian. Anastasia sempre a vê como alguém que fez mal a Christian e a considera uma pessoa perigosa, no decorrer da história percebemos que ela de certa forma pode ser mesmo.

O FILME

Pelo o que vi nos trailers, por saber que a diretora é mulher heterossexual, pelas declarações dela que li na imprensa, acredito que será um grande filme e assim como ocorreu com Crepúsculo, um filme bem maior que o livro.

50 Tons de Cinza é nada mais nada menos que uma história de amor dos tempos atuais, deixemos de lado toda a baboseira negativa ou mesmo a positiva, toda a publicidade e polêmica e vamos assistir como se fosse um filme dramático com cenas picantes como tantos outros (Proposta Indecente, por exemplo).

 

Exôdo: SOBERBO!

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Só existe uma palavra para definir o filme Exôdo: Deuses e Reis do mestre Ridley Scott: SOBERBO!

Tudo no filme é muito bom,  roteiro, figurino, fotografia, atuações…e o pior é que não dá nem tempo de encontrar “defeitos” , porque o filme nos envolve de uma maneira impressionante.

A falta de fidelidade ao excesso de fantasia com que se costuma interpretar os textos bíblicos é o melhor de tudo,  principalmente na parte das pragas do Egito e da travessia do Mar Vermelho.  Foi um prazer não ver mais uma série de imagens ridículas de um mar se abrindo ao meio. As águas do o Rio Nilo ficarem ensanguentadas por uma praga de crocodilos, foi uma solução perfeita!

Deus ser representado por um menino é uma surpresa encantadora.

A atuação – sem contar a beleza – de Christian Bale impressiona, mas Joel Edgerton, não deixa a desejar, também está muito bem.

Vale muito a pena assistir. Deixe de lado o preconceito contra filmes épicos baseados em histórias bíblicas, acredite esse filme é realmente diferente dos outros.

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Joel e Christian: duas grandes interpretações
Joel e Christian: duas grandes interpretações